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Mubarak, ex-presidente do Egito, é condenado à prisão perpétua

Hosni Mubarak, tirado do poder por uma revolta no ano passado após 30 anos governando o Egito, recebeu neste sábado a sentença de prisão perpétua por seu papel na morte de manifestantes após um julgamento que estabelece um precedente para responsabilizar os autocratas do Oriente Médio pelos seus atos. Mas isso não foi o suficiente para milhares de egípcios, que foram às ruas após o veredicto.

Alguns queriam a execução de Mubarak, enquanto outros acreditam que a decisão do juiz expõe a fraqueza do Judiciário em um caso que pode deixar o ex-militar solto com uma simples apelação. Manifestantes se juntaram na Praça Tahrir, no Cairo, centro da revolta que tirou Mubarak do poder no dia 11 de fevereiro de 2011. Outros protestaram na cidade de Alexandria, cantando: “Estamos fartos de conversa, queremos execução!”.

A decisão judicial ocorre num momento politicamente carregado no Egito, duas semanas depois das primeiras eleições livres.

Manifestantes do lado de fora do tribunal, muitos dos quais pediam a pena de morte para o ex-presidente, saudaram o veredicto com fogos de artifício e entoando “Allahu akbar” (Deus é grande). Em vez de uma experiência de correção, que muitos egípcios esperavam, a maioria vê o julgamento que inocentou algumas autoridades como uma demonstração de que a velha ordem de Mubarak ainda está em vigor.

Islamitas e outros grupos convocaram protestos de rua neste sábado. A Irmandade Muçulmana exigiu um novo julgamento para Mubarak, que tornou o Egito um leal aliado dos Estados Unidos.

“O promotor público não realizou seu dever total de juntar evidências suficientes para sentenciar o acusado pela morte de manifestantes”, afirmou Yasser Ali, um porta-voz do candidato presidencial Irmandade, Mohamed Mursi. Mursi prometeu que, se for presidente, usará os tribunais para assegurar que seu antecessor permaneça na cadeia. “Não é possível libertar Mubarak”, afirmou ele à Reuters na quinta-feira. “Prometo aos mártires: recuperaremos seus direitos por completo, se Deus quiser.”

Cerca de 850 pessoas foram mortas durante os 18 dias de revolta popular que derrubaram Mubarak.Ahmed Shafiq, último primeiro-ministro do ex-presidente e ex-chefe da Força Aérea, como seu antigo patrão, é concorrente de Mursi no segundo turno da eleição e chama Mubarak de exemplo a ser seguido. Ele afirmou, na sua página no Facebook, que o julgamento mostrou que ninguém está acima da lei.

Os advogados de Mubarak ainda não se manifestaram sobre uma possível apelação.

A emissora de televisão estatal e uma fonte disseram que Mubarak, que tem 84 anos, sofreu uma “crise de saúde” quando foi levado de helicóptero a uma prisão nos subúrbios do Cairo para iniciar sua sentença, causando atraso na sua transferência para o local.

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