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Mortes por estupro “perseguem” moradores “Luís Cabral” e exigem detenção dos malfeitores

Os habitantes do bairro Luís Cabral, vulgo Xinhambanine, na capital moçambicana, não esquecem o terror vivido nos dias 16, 19, 27 de Junho e 17 de Julho deste ano, datas em que um grupo de malfeitores ainda a monte protagonizou uma vaga de assaltos a residências, em estabelecimentos comerciais, agressões físicas e estupros que culminaram com a morte de, pelo menos, quatro raparigas.

Nesta terça-feira (25), os moradores realizaram uma marcha pública de “Repúdio aos Crimes de Violação Sexual”, no âmbito dos “16 Dias de Activismo de Não Violência Contra a Mulher (25 de Novembro a 10 de Dezembro)”. A tónica dominante foi o apelo à Polícia para que investigue mais, prenda e puna as pessoas que cometeram tais actos hediondos.

Os residentes daquele bairro repudiaram a onda de delinquência. Uma das moradoras, identificada pelo nome de Ester Justino, de 58 anos de idade, disse estar desapontada com a Polícia da República de Moçambique (PRM) porque ainda não deteve os supostos criminosos que entre Junho e Julho aterrorizaram a zona, pilharam e violaram sexualmente quatro cidadãs até à morte, cujos crimes se deram de forma muito semelhante.

Neste momento, segundo a nossa interlocutora, a região vive uma certa tranquilidade, mas o facto de os pessoas que protagonizaram tais actos continuarem à solta o sossego de qualquer pessoa é efémero porque sempre que se lembra da forma como aquelas quatro mulheres foram mortas. Ela acredita que os “assassinos” são daquele bairro.

“Estes (indivíduos desconhecidos) matam por medo de serem descobertos e denunciados às autoridades. Um indivíduo que goza das suas faculdades mentais não pode cometer um caso de tamanha brutalidade”, disse Ester Justino.

O consumo excessivo de bebidas alcoólicas e o abuso de drogas por parte dos jovens é outro factor apontado por Ester. Ela acredita que tais estupefacientes funcionam como um estimulante para as pessoas que os consomem violarem e matarem. Contudo, a nossa entrevistada almeja que a campanha consciencialize os malfeitores sobre o mal que praticam e abandonem tal prática.

Maida Matavele, de 32 anos de idade, disse estar satisfeita por o seu bairro ter sido eleito para a celebração dos “16 Dias de Activismo de Não Violência Contra a Mulher”. Ela apelou para que as pessoas recorram sempre ao diálogo para resolver quaisquer problemas ou desacordos. Todavia, a nossa entrevistada pediu para que as autoridades criem condições para que os residentes de Xinhambanine vivam tranquilamente.

“Queremos circular com segurança, viver livre de todo o tipo de violência e discriminação, no lar, no sector laboral e em todos os cantos do mundo. Exortar aos homens a abandonarem do hábito de bater ou violar as suas esposas, filhas e outra camadas femininas”, apelou Maida.

Outra residente identificada pelo nome de Sheila Fumo, de 16 anos de idade, afirmou que a caminhada pelo “Repúdio aos Crimes de Violação Sexual”, no âmbito dos “16 Dias de Activismo de Não Violência Contra a Mulher”, é uma boa iniciativa e o povo deve gritar o mais alto possível: “Não à violência contra as crianças, raparigas e mulheres”.

Por seu turno, Elsa Nhantumbo, representante do projecto Estrada–FHI, uma organização localizada no bairro Luís Cabral, há três anos, com vista a sensibilizar a população contra a violência doméstica e a evitar o VIH/SIDA, lamentou que a situação da violência contra a criança, rapariga e mulher é gritante, pese embora os esforços envidados para inverter o cenário.

João Nhantumbo, secretário daquela área, louvou a iniciativa do Fórum Mulher e seus parceiros e considerou que a onda de criminalidade está estancada porque a Força de Intervenção Rápida (FIR) e a PRM trabalham para garantir a ordem, segurança e tranquilidade públicas.

“No primeiro semestre o bairro registou quatro casos de violência sexual contra a mulher, igual número de violência física contra a mulher e dois contra homens. As associações do bairro estão a intensificar palestras com vista a eliminar situações que perigam a vida humana”, concluiu João Nhantumbo.

Refira-se que, a campanha dos “16 Dias Activismo” está focalizada em quatro datas principais, nomeadamente: 25 de Novembro (Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher); 06 de Dezembro (celebra-se desde 1989 em resultado do assassinato de 14 estudantes da Universidade de Montreal); 01 de Dezembro (Dia de Luta contra a SIDA) e 10 de Dezembro (Dia Internacional dos Direitos Humanos).

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