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Morreu adolescente indiana que se imolou depois de duas violações colectivas

Foi com manifestações de ira que a família e defensores dos direitos das mulheres reagiram, nesta quarta-feira, à tentativa da Polícia de cremar o corpo de uma rapariga de 16 anos que morreu em Calcutá, na Índia, depois de se ter imolado, na sequência de duas violações colectivas.

A adolescente tinha sido pressionada a retirar as queixas contra os atacantes. Morreu por falência múltipla de órgãos, no primeiro dia do ano, uma semana depois de se ter imolado. Os médicos informaram que tinha ficado queimada em 40% do seu corpo. As queimaduras afectaram-lhe principalmente o rosto e a garganta, deixando-a com grande dificuldade para respirar.

A indignação da família e de activistas foi agravada, segundo o jornal britânico Telegraph, pela iniciativa policial de pretender fazer a cremação, sem o consentimento dos mais próximos.

Uma das principais activistas dos direitos das mulheres na Índia, Brinda Karat, antiga deputada e líder do Partido Comunista, acusou o governo do Estado de Bengala Ocidental e a Polícia de terem protegido os alegados violadores por estarem ligados ao partido localmente dominante, o Trinamool.

Brinda Karat disse nunca ter tido conhecimento de um caso de duas violações colectivas e que a situação de Calcutá mostra que pouco tem sido feito para proteger as vítimas de violência sexual desde que, há um ano, um caso de violação por gangue e morte de uma estudante de Nova Deli provocou indignação em toda a Índia.

A rapariga foi atacada em Outubro em Madhyamgram, próximo de Calcutá, por seis homens que a voltaram a violar no dia seguinte, depois de, com o pai, ter apresentado queixa numa esquadra de Polícia.

Os violadores foram presos, mas tanto ela como a família continuaram a ser pressionados e o pai ameaçado de morte, caso não retirasse a queixa. O senhorio, suspeito de ligações com um dos envolvidos, ordenou o despejo da família. No dia em que a adolescente tentou suicidar-se dois colaboradores dos acusados foram à sua casa e ameaçaram-na de novo. “Têm claramente protecção política, caso contrário era impossível isto acontecer”, comentou Brinda Karat.

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