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Moçambola: Muçulmanos e tricolores num autêntico “fogo cruzado”

A Liga Muçulmana de Maputo e o Maxaquene protagonizam, neste domingo (30 de Junho), o embate de acerto do calendário da quinta jornada do Moçambola. Este confronto surge numa altura em que as duas equipas estão em fogo cruzado devido ao negócio mal sucedido da transferência de jogadores e as recentes declarações dos dois treinadores na imprensa.

A equipa tricolor, que vem de uma derrota diante do Ferroviário de Maputo por 0 a 1, quer neste jogo retomar à liderança da competição, vencendo a Liga Muçulmana. Do momento, o Maxaquene ocupa a terceira posição com 21 pontos, a três do líder Clube de Chibuto.

A Liga Muçulmana, por sua vez, vê as suas aspirações defraudadas depois de ter regressado das Afrotaças, visto que nos últimos cinco jogos do Moçambola somou uma vitória, uma derrota e três empates, estando cada vez mais distante do topo, ainda que com três jogos em atraso por disputar. Ou seja, os muçulmanos estão com o orgulho ferido necessitando, mais do que nunca, de alcançar os três pontos para disfarçarem a crise de resultados.

Um jogo que começou nos bastidores

É sabido que o Maxaquene tem uma dívida de 800 mil meticais com a Liga Muçulmana pela cedência de Maurício Pequenino e Calima àquele emblema. Aliás, a direcção muçulmana levou o caso até à Federação Moçambicana de Futebol (FMF), tendo estabelecido um prazo para os tricolores regularizarem a situação ou devolverem os referidos jogadores, curiosamente até ao dia deste jogo.

A direcção do clube campeão nacional, por sua vez, quando notificado pela FMF, assumiu a dívida e prometeu pagar dentro dos prazos estabelecidos, descartando, porém, a possibilidade de abdicar dos dois jogadores. Contudo, até a manhã deste sábado (29 de Junho), a um dia do fim do prazo estabelecido, nem o Maxaquene pagou a dívida, nem o Conselho Jurisdicional da FMF terá dado o desfecho do caso.

A outra polémica que envolve estes dois clubes tem a ver com as recentes declarações violentas dos dois treinadores, em que Litos Carvalha, da Liga Muçulmana, disse publicamente que “na última temporada vi o Maxaquene a ser levado ao colo (dos árbitros) para ser campeão e, nesta época, já assistimos várias situações deste mesmo Maxaquene a ser beneficiado”.

Em jeito de resposta, Arnaldo Salvado foi muito duro nas palavras, ao afirmar que “me custou acreditar que o Litos disse aquilo. Ele vinha mantendo um comportamento sereno e equilibrado. Nada do que disse é justo e justificável (…) O Litos, que estava desempregado em Portugal por ter levado uma equipa a descer de divisão, ao fazer estas declarações, está claramente a ser a voz do patrão e a prestar um papel lamentável. Se lhe mandarem ladrar, ele vai ladrar…ele ladra, sem dúvidas. Não se pode colocar em causa o bom nome de um clube sem provas, um clube que mal tem dinheiro para as coisas básicas, quanto mais o resto”.

Um jogo que não (re)quer o público

As diferenças entre estes dois emblemas serão levadas ao jogo. Segundo apurou o @Verdade, a direcção da Liga Desportiva Muçulmana de Maputo vai praticar um preço especulativo dos bilhetes de ingresso neste domingo. Os mesmos estarão a 200 meticais, muito superiores aos de um jogo da selecção nacional, num campo em que, durante as afrotaças, as entradas para o público moçambicano eram gratuitas não tendo faltando, à Liga, apoio até das claques identificadas do Maxaquene.

Ademais, segundo fontes anónimas, foi mobilizado um forte contingente policial constituído por agentes da Força de Intervenção Rápida (FIR) e das Forças Caninas para estancarem aquilo que se considera “qualquer tentativa de violência por parte dos adeptos do Maxaquene, que certamente estão com essa intenção, como fizeram os do Costa do Sol que vandalizaram o nosso património”.

O jogo tem início marcado para às 15 horas e será ajuizado pelo árbitro Aníbal Armando.

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