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Moçambola: Maxaquene a um ponto da liderança

O clube campeão nacional, o Maxaquene, derrotou no passado domingo (28) o Desportivo de Nacala e aproveitou-se da derrota da Liga Muçulmana e do empate do HCB de Songo para reduzir para apenas um ponto a diferença em relação ao líder. A jornada ficou marcada pela cena de agressão, em pleno jogo, protagonizada pelo treinador Abdul Omar ao árbitro Silvério Nuvunga, em Vilankulos.

Se fosse para descrever o jogo entre o Maxaquene e o Desportivo de Nacala numa só palavra, seria mais eficaz dizer: pálido. Houve um fraco espectáculo de futebol e as duas equipas não foram capazes de implementar tudo o que terão assimilado durante a semana para este embate.

No que diz respeito à disposição táctica, o Maxaquene entrou com um 4 – 4 – 3, com Gabito a fazer dupla de centrais com Calima, encostando para a direita o habitual nesta posição, Campira, com Vling a alinhar pelo lado esquerdo da defesa. No centro defensivo o técnico tricolor, Arnaldo Salvado, assentou Payó e Marvin nas costas de Eboh, enquanto Kito no flanco esquerdo e Isac no direito, desempenharam o papel de extremos. Para finalizar as jogadas de ataque, Maurício Pequenino foi escalado como ponta de lança.

Do lado contrário, Nacir Armando montou uma equipa absolutamente defensiva, mas com vista a eliminar o meio-campo tricolor e a evitar problemas aos seus centrais. Estabeleceu, porém, um sistema 5 – 4 – 1 baseado no clássico 4 – 4 – 3, com Tawinha e Osvaldo a comporem a dupla mais recuada, por vezes com Billy para um trio sempre que o extremo Joa descia para ocupar a posição de lateral esquerdo, em paralelo com Rojas do lado direito. O meio-campo esteve a cargo da dupla Délcio e Egídio, por detrás de Gito e Daúdo, sobrando para Leo a marcação de golos.

Com estas formatações, ficou claro logo de início que o Maxaquene seria o dono do jogo, chamando a si a responsabilidade de encontrar o melhor caminho para abrir o marcador. O Desportivo de Nacala, por sua vez, tão-somente vinha para defender pelo que nem ao contra- ataque soube jogar com perfeição, por mera falta de corredores nos flancos.

O filme do jogo

Como se podia prever, a equipa tricolor assumiu cedo o controlo do jogo, ainda que tenha revelado algum receio em visitar com perigo a baliza contrária. Por esse motivo, ao minuto 12 e na sequência de um pontapé de canto, viu Tawinha cabecear o esférico com algum perigo por cima da baliza de Acácio.

A resposta do Maxaquene surgiu ao minuto 16 com Vling a desferir um remate frouxo e desenquadrado da baliza. Aliás, esta foi a primeira situação em que o Maxaquene mostrou que queria sair do campo do Costa do Sol com os três pontos. Quatro minutos mais tarde, a vez foi de Eboh demonstrar que a sua pontaria não estava em dia quando, dentro da grande área, atirou o esférico para longe da baliza.

O melhor lance de golo desta etapa inicial foi protagonizado pelos tricolores. O avançado Maurício, isolado dentro da grande área, desferiu um remate que encontrou o poste esquerdo de Victor, tendo surgido Eboh na recarga, todavia, em posição irregular.

Na segunda metade do jogo, O Maxaquene entrou audacioso e com vontade de mudar o rumo dos acontecimentos. Ao minuto 47, Eboh ensaiou um remate de fora da grande área sem criar dificuldades de defesa para o guarda-redes Victor. De seguida, o Desportivo de Nacala conseguiu sair ao contra-ataque tendo a bola ido parar nas mãos de Acácio.

Os ensaios dos tricolores prosseguiram e em dois lances seguidos podiam ter feito dois golos, primeiro ao minuto 53 por intermédio de Kito e, em seguida, por Maurício que invadiu a grande área contrária, tirando dois centrais do caminho mas sem conseguir ultrapassar o guarda-redes.

O golo só surgiu volvidos 57 minutos e teve assinatura de Eboh. Numa jogada rápida de contra-ataque, o Maxaquene aproveitou-se da superioridade numérica da sua equipa no terreno contrário e o nigeriano imobilizou o esférico, tirou um adversário da frente e, de fora da grande área, atirou para o lado mais difícil para o guardião Victor.

Depois do tento, as duas equipas fizeram mexidas com vista a alimentar mais os seus sistemas defensivos do que necessariamente irem atrás de golos. Por um lado, um Maxaquene que não quis mais saber de atacar e, por outro, um Desportivo de Nacala que só se lembrou de visitar a baliza contrária somente ao minuto 85, tendo levado a bola a beijar as malhas superiores traseiras da baliza de Acácio.

Com o resultado, o Maxaquene alcançou a Liga Muçulmana na segunda posição, após esta equipa ser derrotada pelo Chingale de Tete, por 1 a 0, cujo tento foi apontado pelo capitão Magaba ao minuto 88, e reduziu para apenas um ponto a diferença com o líder HCB que empatou diante do Ferroviário de Nampula.

Abdul Omar espanca árbitro

A contar ainda para a sexta jornada do certame, o Vilankulo FC recebeu, no passado sábado (27) em casa, o estreante Estrela Vermelha da Beira. No entanto, naquele dia, o jogo foi interrompido devido ao espancamento do árbitro Silvério Nuvunga pelo treinador da equipa do Chiveve, Abdul Omar.

Aquele técnico, que vinha ameaçando ao longo da semana espancar os árbitros, o presidente do Vilankulo FC, Yassin Amuji e o presidente do Conselho Municipal da Vila de Vilankulos, Suleiman Amuji, invadiu o terreno do jogo ao minuto 26 e deu dois muros valentes ao árbitro principal que caiu inanimado por cerca doze minutos. Sem condições para o seu prosseguimento, a partida foi interrompida para que tivesse lugar no dia seguinte.

No entanto, já na manhã de domingo (29), aquele treinador, acompanhado pela família, procurou pelo trio de arbitragem a quem pediu desculpas pela sua atitude repreensível solicitando, por outro lado, a retirada da queixa-crime movida contra ele.

No encontro, que contou com a presença de dirigentes das duas equipas, Abdul Omar revelou que é característica sua passar por problemas sociais sempre que se desloca a Vilankulos, muito por conta dos espíritos da famosa árvore de Macassa onde, antes do jogo, ele terá passado para pedir protecção para si e para o seu conjunto.

A equipa de arbitragem perdoou mas, pela atitude, caso sejam cumpridas as regras, Abdul Omar poderá ser irradiado do futebol moçambicano. No que diz respeito ao jogo que prosseguiu no domingo (28), o Vilankulo FC conquistou os três pontos com um golo apontado por Tendai à passagem do minuto 27, ou seja, o primeiro do reatamento.

Quadro de resultados

6ª Jornada

Têxtil de Púnguè 1 x 1 Costa do Sol

Fer. da Beira 3 x 1 Clube de Chibuto

Fer. Nampula 1 x 1 HCB de Songo

Maxaquene 1 x 0 Desportivo de Nacala

Chingale de Tete 1 x 0 Liga Muçulmana

Vilankulo FC 1 x 0 Estrela Vermelha

Fer. Maputo 2 x 1 Matchedje

 

A classificação está assim ordenada:

Pos EQUIPA J V E D GM GS DG P
1 HCB de Songo 6 4 1 1 8 3 5 13
2 Liga Muculmana 5 4 0 1 11 3 8 12
3 Maxaquene 5 4 0 1 6 3 3 12
4 Chingale de Tete 6 3 1 2 5 4 1 10
5 Desportivo de Nacala 6 2 3 1 3 2 1 9
6 Costa do Sol 6 2 2 2 7 5 2 8
7 Ferroviário de Nampula 6 2 2 2 5 6 -1 8
8 Têxtil de Púnguè 6 2 2 2 5 7 -2 8
9 Ferroviário da Beira 6 2 1 3 3 7 -4 7
10 Estrela Vermelha 6 2 1 3 5 6 -1 7
11 Ferroviário de Maputo 6 2 1 3 4 5 -1 7
12 Vilankulo FC 6 2 1 3 2 5 -3 7
13 Clube de Chibuto 6 2 1 3 7 11 -4 7
14 Matchedje 6 0 0 6 3 10 -7 0

 

Próxima jornada – 7ª

Têxtil de Púnguè x Fer. da Beira

Clube de Chibuto x Fer. Nampula

HCB de Songo x Fer. Maputo

Matchedje x Maxaquene

Desp. de Nacala x Chingale de Tete

Liga Muçulmana x Vilankulo FC

Costa do Sol x Estrela Vermelha

 

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