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Moçambique pode enfrentar “consequências gravíssimas” na luta contra o HIV/SIDA

Moçambique vai enfrentar “consequências gravíssimas” na luta contra o HIV/ SIDA, caso o Governo não consiga cobrir o défice de 40 porcento do orçamento para a compra de antiretrovirais, alertaram, Quarta-feira, Organizações Não Governamentais (ONG) moçambicanas.

O Ministério da Saúde de Moçambique (MISAU) anunciou, recentemente, que tem garantidos apenas 60 porcento da verba necessária para a aquisição de antiretrovirais para 2012, devido à redução do financiamento externo ao sector da saúde, na sequência da crise financeira atravessada pelos principais países doadores.

“As consequências serão gravíssimas – muitas pessoas irão perder a vida devido à falta de tratamento e outras terão de interromper o tratamento, correndo o risco de vida e desenvolvendo resistência” aos medicamentos, disse Júlio Mujójó, da Rede de Pessoas Vivendo com HIV/ SIDA e Simpatizantes (RENSIDA), lendo um apelo das ONG de luta contra a SIDA, em conferência de imprensa quarta-feira concedida no Maputo.

Segundo o apelo, Moçambique já se debate com um fraco acesso de doentes da SIDA aos medicamentos, pois apenas 240 mil recebem antiretrovirais, das 600 mil que precisam de tratamento, de um universo de 1,7 milhão de infectados.

Dos 240 mil que têm acesso ao tratamento, cerca de 100 mil poderão ficar privadas do mesmo se o Governo não encontrar alternativas para cobrir o défice de 40 porcento, cerca de 14,2 milhões de euros, do orçamento previsto para a despesa com antiretrovirais, disse Júlio Mujójó.

Carlota Silva, da Rede das ONG Internacionais da Área da Saúde e HIV-SIDA, afirmou que o Governo moçambicano deve fazer um pedido de emergência ao Fundo Global de Combate à SIDA, para evitar que o país fique sem antiretrovirais a partir de Julho do próximo ano.

“Estamos preocupados com o que irá acontecer a partir de Julho, porque os medicamentos disponíveis só cobrem até esse período”, enfatizou Carlota Silva.

Carlota Silva alertou para o risco de a incidência de HIV/ SIDA no país inverter a actual tendência de redução e disparar para níveis “mais preocupantes”, devido ao aumento do risco de novas infecções por parte dos doentes que deixarem de receber tratamento.

“O país conseguiu alguns ganhos ligeiros na diminuição da prevalência, mas a falta de acesso aos medicamentos vai aumentar o risco de novas infecções”, sublinhou a representante da Rede das ONG Internacionais da Área da Saúde.

A mais recente avaliação do Governo sobre o HIV/SIDA, feita em 2009, indica que a prevalência baixou de 16 porcento em 2007 para 15 porcento, variação que indica tendência estacionária.

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