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Moçambique inicia ensaios clínicos da vacina contra HIV

O ministro da Saúde, Alexandre Manguele, anunciou, quarta-feira, a realização, em Moçambique, do primeiro ensaio clínico de vacinas contra o HIV, com início ainda no corrente mês e cuja duração será de aproximadamente um ano e meio.

Falando a imprensa, Manguele disse que este estudo, a ser conduzido pelo Instituto Nacional de Saúde (INS) e o Hospital Central de Maputo (HCM), irá avaliar a combinação das vacinas de ADN (usada como estimulo primário para desencadear uma resposta imune) e a MVA (a ser usada para fazer o reforço da resposta imune gerada pela vacinação de ADN).

Segundo o governante, esta combinação da vacina, conhecida cientificamente como ADN-MVA, já foi testada em outros estudos realizados na Tanzânia e na Suécia com resultados encorajadores.

“O estudo a ser agora realizado em Moçambique é denominado de ‘ensaio clínico fase I/II’ e visa avaliar a segurança e imunogenicidade da vacinação primária intradérmica com ADN e do reforço intramuscular com MVA em voluntários jovens e saudáveis em Moçambique”, disse o ministro.

O governante explicou que este ensaio clínico visa avaliar se a vacina tem efeitos nocivos, ou se a mesma produz efectivamente uma resposta imune contra o HIV.

“Trata-se, portanto, de uma fase inicial de pesquisa para contribuir para o desenvolvimento de uma vacina preventiva. Só em estudos subsequentes com estas vacinas é que se poderá aferir o grau de protecção da vacina contra o HIV”, disse.

A realização desta pesquisa em Maputo é através de uma parceria designada por “TaMoVac”, que além de Moçambique também inclui a Tanzânia, Alemanha, Estados Unidos da América (EUA), Inglaterra e Suécia.

Refira-se que o programa de pesquisa de vacina contra HIV em Moçambique iniciou em 2008, contando com um financiamento de 1,9 milhões de dólares americanos financiados pela Parceria entre a Europa e os Países em Desenvolvimento para a realização de Ensaios Clínicos (EDCTP).

De 2008 a esta parte, Moçambique já realizou uma série de actividades preparatórias, incluindo a formação de pessoal, aquisição e montagem do equipamento necessário para os exames a serem realizados, entre outras.

Em Moçambique, este ensaio será conduzido por investigadores do INS e do HCM, entre os quais destacam-se os Doutores Ilesh Jani e Nafissa Osman, de ambas as instituições, respectivamente.

Tomando a palavra, Ilesh Jani disse que Moçambique possui capacidade, em termos de recursos humanos e equipamento, para realizar esta pesquisa.

“Por outro lado, este tipo de trabalho contribui muito para a capacitação de quadros e nós temos capacidade técnica, equipamento e laboratório com tecnologia de última geração”, disse Jani, que é igualmente director do INS.

Jani justificou a importância de se realizar este estudo em Moçambique pelo facto de haver diferença entre os vírus que circulam diversos locais, razão pela qual algumas vacinas desenvolvidas em determinados países podem não ser aplicáveis noutras regiões. Ilesh Jani explicou não haver riscos de saúde para os 24 jovens voluntários que irão participar nesses estudos.

Estes jovens são HIV negativo e têm uma probabilidade muito baixa de contrair a infecção pelo HIV. Eles foram seleccionados das pessoas que costumam frequentar a clínica de jovens e adolescentes do HCM.

“Nós vamos seguir os participantes de uma forma regular e rigorosa. Eles serão submetidos a uma série de exames”, explicou a fonte, acrescentando, por outro lado, que os produtos a serem administrados a estes jovens foram já testados noutros países, sem nenhum efeito secundário.

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