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Ministro Pedro Couto “despromovido” para HCB por atrapalhar negócios do gás em Moçambique

Ministro Pedro Couto “despromovido” para HCB por atrapalhar negócios do gás em Moçambique

Foto de ArquivoPedro Conceição Couto foi esta quinta-feira(29) exonerado, sem motivos públicos, pelo Presidente de Moçambique, Filipe Jacinto Nyusi, do cargo de Ministro dos Recursos Minerais e Energia. A demissão acontece numa altura em que se negociam os detalhes finais sobre a exploração de gás natural da Bacia do Rovuma, aliás na recente viagem presidencial aos Estados Unidos da América, onde o Chefe de Estado reuniu-se com os responsáveis das multinacionais Anadarko e Exxon Mobil, foi notável a ausência do ministro Couto.

O comunicado da presidência da República de Moçambique não indica os motivos da exoneração de Pedro Couto que esteve no cargo desde Janeiro de 2015 e torna-se no primeiro ministro a ser demitido por Filipe Nyusi.

As anterior mexidas governamentais tinham-se circunscrito ao nível dos vice-ministros: primeiro Omar Mithá deixou a pasta de vice da Indústria e Comércio, depois João Machatine foi reafetado de vice das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos e depois Amélia Nakare foi realocada de vice-ministra da Economia e Finanças.

Couto, que foi vice-Ministro das Finanças entre 2005 e 2015, dirigia o “super” Ministério que resultou da fusão dos Recursos Minerais e da Energia, dois dos sectores mais estratégicos para o desenvolvimento económico de Moçambique.

Pedro Couto travou corrupção na importação de combustíveis Com fama de incorruptível Pedro Couto, ao longo destes 20 meses, conseguiu controlar a corrupção existente na aquisição de combustíveis líquidos, embora o preço do barril de petróleo tenha baixado nos mercados internacionais Moçambique continuou a pagar a mesma factura pela importação.

Um estudo apresentado recentemente pelo Centro de Integridade Pública(CIP) apurou que a sobre-facturação nas importações de combustíveis líquidos lesou o erário em 390 milhões de dólares norte-americanos, nos últimos 3 anos em que Salvador Namburete este à frente do então Ministério da Energia.

O antigo director da Importadora Moçambicana de Petróleos (IMOPETRO), Manuel Braga, revelou durante a divulgação do estudo que por duas ocasiões o contrato de fornecimento de combustíveis foi prorrogado pelo então titular da pasta da Energia, primeiro na vésperas do X Congresso do partido Frelimo e depois nas ante-câmara das Eleições Gerais de 2014.

Cabe também a Couto o mérito de haver conseguido iniciar algumas mudanças positivas na gestão da Electricidade de Moçambique e que teve no em Julho passado um dos seus momentos mais relevantes, com o lançamento do primeiro concurso público para a selecção de novos administradores executivos da empresa Electricidade de Moçambique.

Couto ausente nos encontros com Anadarko e Exxon Mobil

A demissão do ministro dos Recursos Minerais e Energia acontece poucos dias após o regresso do Presidente de Moçambique dos Estados Unidos da América onde, entre outros vários encontros, Filipe Nyusi encontrou-se com os “chefões” das empresas Anadarko, Al Walker, e da Exxon Mobil (a maior companhia petrolífera do mundo), Rex Tillerson.

Recorde-se que as multinacionais norte-americana Anadarko (Área 1) e a italiana Eni (Área 4), estão ainda a negociar com o Governo moçambicano os termos em que vai decorrer a exploração de gás natural na Bacia do Rovuma e, segundo o Centro de Integridade Pública, pretendem aproveitar a crise financeira, e a suspensão da ajuda dos doadores, que o nosso País enfrenta para obterem ainda mais concessões, além daquelas que o Executivo de Armando Guebuza concedeu através do Decreto-Lei nº 2/2014.

Por seu turno a Exxon Mobil possui três licenças de prospecção petrolífera a sul do Bloco Área 4 e deverá anunciar brevemente a aquisição de uma participação no bloco Área 4, num negócio que poderá gerar mais valias projectadas em cerca de um bilião de dólares norte-americanos para os cada vez mais vazios cofres do erário moçambicano.

Pedro Couto, que não fez parte da delegação presidencial. É apontado por várias fontes como sendo pouco flexível nas negociações com estas empresas.

Entretanto um comunicado da Hidroeléctrica de Cahora Bassa dá conta que Pedro Couto foi nomeado para dirigir o seu Conselho de Administração em substituição de Paulo Muxanga, que ocupava o cargo desde a reversão para o Estado moçambicano em 2007. Não foi ainda indicado o novo titular dos Recursos Minerais e Energia.

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