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‘@ minha verdade – Sobre Tragédias Gregas

Confesso: adoro a Grécia! Não a Grécia actual sob o leme da terceira geração Papandreau! Não a Grécia dos gigantes do basquetebol europeu com pilares no Panathinaikos, no Aris Salónica e no Olimpyakos de Pireu, embora eu considere Theodoros Papaloukas o melhor jogador de basquetebol do mundo não chamado Kobe Bryant e fora do universo da fantástica NBA.

A Grécia Ateniense e da Ágora, de Platão, de Sócrates, de Aristóteles, a Grécia dos Deuses do Olimpo que inspiraram os Jogos Olímpicos Modernos, a Grécia da Mitologia que inspirou a reflexão filosófica da racionalidade contemporânea…É dessa Grécia que vos falo. Embora eu seja um fanático dessa Grécia, confesso que por muito tempo outros afazeres e prazeres da vida me têm colocado como que na “Idade das Trevas” quando fico largos períodos sem me deliciar, inspirar e me auto-ensinar com as lições que a Grécia Clássica Antiga sempre proporcionam a um “amante das luzes” como eu.

Felizmente, tenho amigos que andam sempre a “Viajar no Tempo” e me fazem sair dessa “Longa Escuridão Nocturna” do alheamento ao saber. Há dias, um deles, muito instrutivo, contou- me uma das estórias pródigas da Tragédia Grega. Felizmente ele não me fez derivar para a minha “paixão americana” das teorias da conspiração que estão sempre a ver “Cavalos de Tróia” em tudo o que são grupos de amigos, parceiros ou convivas.

Com a sabedoria dos mais velhos, o meu amigo fez-me viajar à Grécia Antiga contando uma das lendárias ou mitológicas tragédias helénicas, neste caso narradas ou inventadas por Sófocles, e depois fez-me voltar à terra…arrolando uma série de episódios no país da era guebuziana para enfim perguntar: “Não estamos a viver a nossa Tragédia Grega?” Confesso que vi o fantasma de Políbio disfarçado no sorriso sempre trocista mas nada malicioso do meu amigo PC Mapengo: “meu caro, a história repetese!”.

Olhei para o lado e procurei o meu amigo e nos últimos tempos guia espiritual oficioso, Duma, para que ele me dissesse uma daquelas palavras sábias e sempre redentoras do nosso mestre Bob Marley. Pura ilusão! O meu amigo estava a punir a minha mente e o meu espírito falando: – Dos inéditos incêndios em ministérios em épocas de auditorias e sindicâncias; – Da explosão do Paiol de Mahlazine que provocou um massacre popular qual crime ainda sem castigo; – Do levantamento popular de 5 de Fevereiro;

– Dos desmaios na Quisse Mavota que levaram o Estado a financiar uma cerimónia de exorcização dos espíritos; – Da designação especial de um dos mais prósperos empresários moçambicanos e financiador do partido da vanguarda e governista como Barão da Droga pela Administração do Primeiro Presidente Negro da História da América do Norte. “Não estamos a viver a nossa tragédia grega, Milton?” Voltou a torturar-me o meu amigo, como quem procura dizer em outras palavras “abra o olho, rapaz!”.

Sabem o que fiz, depois de esta sessão luminária do meu amigo? Fui ao professor dos ignorantes da era do Silício: “Prof. Dr. Google, o que é Tragégia Grega?” Eis em breves trechos, o que me respondeu o Professor Doutor que nos últimos tempos tem sido desafiado por um tal de Dr. Bing no seu estatuto de autoridade máxima do saber cibernético: “O que é tragédia grega? É tipo de drama onde um herói trágico luta contra um factor transcendental que controla o fluxo dos acontecimentos.

Tamanha é a força desse factor, que sempre chegamos em um final trágico, onde o herói sofre todas as consequências por tentar controlar o poderoso destino (Fado). A Tragédia suscita terror e piedade nos leitores, ocasionando a chamada catarse, que é uma espécie de purificação através do sofrimento alheio.” Depois desta aula do Dr. Google, passei a entender um pouco mais porque Italo Calvino (um dos meus autores favoritos italianos, tal como Umberto Eco) escreveu : “Porquê Ler os Clássicos”. Só que não resolvi, mesmo assim, o meu problema filosófico colocado pelo meu amigo: “não estamos a viver uma tragédia grega?”

A tortura foi e é maior ainda (por isso vos escrevo para me iluminarem ou socorrerem) quando o meu amigo sugeriu: “(Já que o Estado pagou com dinheiro do nosso bolso a missa de Quisse Mavota) não será melhor pedirmos uma missa nacional, para resolvermos esta nossa Tragédia Grega”? Digam lá, caros patrícios…

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