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Maxixe é um dos focos da pandemia da covid-19 na Província de Inhambane mas vive-se a vida como se não houvesse nada

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O Município da Maxixe é um entreposto buliçoso, não se difere muito dos grandes centros urbanos de Moçambique, apesar de ser comparativamente de menor dimensão em termos geográficos, mas é uma cidade intensa, vulnerável em todos os sentidos. Apesar de ter mais de duas centenas de casos activos não há tabus quando se fala da covid-19, como no princípio da pandemia, em que as pessoas manifestavam pavor perante o implacável “bicho”, é por isso que nesta urbe, vive-se a vida como se não houvesse nada.

No mercado central local as barracas ali montadas funcionam a luz do dia, sem receio das autoridades. Pior do que isso, sem receio de contaminação. Apanhamos pessoas deleitando-se com cerveja por volta das dez horas da manhã e quando perguntei a dois jovens se não sabiam que corriam perigo com aquele acto, eles simplesmente encolheram os ombros, sem nada para dizer. Bebem e conversam animadamente, sem protecção facial. Fumam, poluindo o ambiente do mercado, sem que ninguém se importe com isso.

Já cá fora, na rua, encontramos um jovem comerciante sem preconceitos, ele próprio abordando potenciais compradores de amendoim, sem máscara. Foi ele que veio ter connosco, perguntando-nos se estaríamos interessados naquele produto, e nós dissemos que não. Perguntamos a ele pela máscara e nem sequer mostrou-se preocupado. Levou as mãos ao bolso e lá se protegeu. Para nós vermos.

“Veja só que cada vez que um virus é desmantelado, aparece outro”, começa por disparar João Bulafo que disse ao @Verdade não ter dúvidas que esta doença ainda vai fazer mais estragos afinal é o mesmo virus que se vai modificando, mostrando uma grande capacidade de ressurgimento após a morte. “Temos que esperar tudo deste “gajo””. Mas como a vida não pode parar por causa de um virus, o nosso interlocutor diz que é preciso continuar a trabalhar, o importante é cumprir com as recomendações médicas, que ele não cumpre, pois está alí desprotegido.

Bulafo lamenta, mesmo assim, que a preocupação que havia com os bafos de eucalipto e outras plantas, tenha baixado. “Já não se fala de eucalipto. Os números estão a subir, mas nós estamos a ser cada vez menos responsáveis”.

“Aqueles tubos são horríveis, a pessoa até pede para morrer”

Encontramos Lúcia Menete sentada junto à tenda montada para a vacinação. É uma idosa que precisa de bengala para se locomover. Já apanhou a primeira dose, agora vem para apanhar a segunda, porém sem muito entusiasmo. Ela sabe que a vacinação é um meio importante para a imunização, entretanto não tem muita certeza do seu efeito, “Agora não há certeza de nada, nem aqui na Maxixe, nem em outro lugar qualquer do mundo. Estou aqui porque disseram-me que a vacina defende nosso organismo, vamos a ver se isso é verdade. Se for verdade, ainda bem porque as pessoas estão a morrer como galinhas”.

Na espera para a vacinação, Lúcia Menete era a única. Não há pressão na tenda, e os técnicos lá presentes disseram-nos simplesmente que as pessoas têm aparecido. Até hoje foram vacinados em Moçambique menos de 2 por cento da população.

É uma mulher que vende no Dumba-Nengue da Maxixe e ainda está traumatizada com o que passou. Ficou internada no Hospital distrital de Jangamo durante duas semanas entre a vida e a morte, e depois veio a superação. “Até hoje é como se eu ainda estivesse com dificuldades de respirar, mas é uma questão psicológica. Sofri muito. Aqueles tubos são horríveis, a pessoa até pede para morrer, do que lutar para vencer naquele sofrimento. Mas graças a Deus estou aqui. É muito lamentável ver pessoas a não se protegerem, numa situação em que os números não param de crescer. Apelo a todos para se cuidarem. Esta situação é muito grave”, desabafou Lúcia Menete.

Desde que se registou o primeiro caso da covid-19, em 2020, o Município da Maxixe tem um cumulativo de 706 casos, dois óbitos e actualmente mais de duas centenas de casos activos sendo um dos principais focos da pandemia na Província de Inhambane. A testagem só está disponível através de testes rápidos, mas de acordo com o médico-chefe, está para breve a montagem, no Hospital Rural de Chicuque de uma máquina que permitirá a realização de testes PCR.

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