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Mário Soares, ex-primeiro-ministro de Portugal, morre aos 92 anos

O antigo Presidente e ex-primeiro-ministro de Portugal Mário Soares, que foi um personagem central no retorno à democracia na década de 70, após décadas de ditadura direitista, morreu neste sábado aos 92 anos, disseram os médicos. Ele havia sido hospitalizado em 13 de Dezembro e tinha estado em coma na maior parte do tempo desde então.

Conhecido popularmente como “Rei” Soares por sua maneira régia, o fundador do Partido Socialista Português foi primeiro-ministro três vezes e depois passou uma década como chefe de Estado do país.

“Hoje Portugal perdeu o pai da liberdade e da democracia, a pessoa e o rosto que os portugueses identificam mais com o regime que nasceu em 25 de Abril de 1974”, disse o Partido Socialista numa declaração.

Nascido em Lisboa, a 7 de Dezembro de 1924, Mário Soares era visto cada vez menos em público. A última vez tinha sido a 28 de Setembro passado, numa homenagem do actual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, à sua mulher, Maria Barroso, que morreu em 2015, a 7 de Julho, no mesmo hospital onde estava agora internado o marido. Mário Alberto estava então de rosa amarela na mão e rosto enrugado do sorriso, amparado enquanto caminhava mas capaz de uma palmada mais vigorosa nas costas de Marcelo.

Um dos 27 que se juntou em abril de 1973 na cidade alemã de Bad Münstereifel para fundar o Partido Socialista teve uma vida intensa dedicada à política e à democracia. Advogado e professor, envolveu-se desde cedo em actividades de oposição à ditadura do Estado Novo. Preso 12 vezes, acabou deportado para São Tomé, em 1968, e depois exilou-se em França. A seguir ao 25 de Abril, regressou a Lisboa três dias depois, no que ficou conhecido como o “comboio da Liberdade”, tendo a aguardá-lo uma multidão na estação de Santa Apolónia.

Chegou a Presidente da República em 1986, como o primeiro Presidente “de todos os portugueses”, como se afirmou nessa noite de 26 de janeiro em que foi eleito (numas eleições que dividiram o país ao meio). O seu primeiro mandato foi de tal modo consensual que seria reeleito com uns estratosféricos 70,35% (quase três milhões e meio de votos, resultado nunca alcançado por outro político em eleições nacionais).

Mário Soares deixou Belém em 1996, nas mãos de outro socialista, Jorge Sampaio, mas não se resignou a ser senador da República. Primeiro, ensaiou um percurso internacional, ainda em dezembro de 1995, com a presidência da Comissão Mundial Independente sobre os Oceanos, mas a política doméstica voltaria a impor-se no seu percurso. Foi o cabeça de lista socialista às eleições europeias de 1999 e ensaiou a candidatura a presidente do Parlamento Europeu, que perderia para Nicole Fontaine, a quem se dirigiria de forma deselegante.

Anos mais tarde, em 2005, voltou a colocar-se na corrida a Belém, apenas para impedir que o então secretário-geral do PS, José Sócrates, apoiasse Manuel Alegre, outro histórico socialista, com quem estava zangado. A zanga foi má conselheira: Soares acabou humilhado em terceiro lugar e Alegre em segundo não evitou a eleição à primeira volta de… Cavaco Silva. Os dois só fariam as pazes oito anos depois, por telefone, mediados pelo líder socialista de então, António José Seguro, depois de Soares ter estado internado com uma forte encefalite, em Janeiro de 2013.

O Governo decretou três dias de luto.

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