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Mapeamento do Ébola mostra mais regiões da África sob risco

Os cientistas que elaboraram o mapa mais recente dos lugares sob maior risco da epidemia do Ébola dizem que as regiões onde é provável haver animais que abrigam o vírus são mais abrangentes do que se temia anteriormente, especialmente no oeste da África.

Entender melhor onde as pessoas têm contacto com animais infectados com o Ebola –por exemplo, durante a caça ou ingestão de animais silvestres– e como impedi-las de contrair a doença é crucial para evitar novos surtos, afirmaram os pesquisadores.

Acredita-se que o vírus do Ébola, cuja taxa de mortalidade pode chegar a mais de 90 por cento, hospede-se em morcegos e outros animais selvagens, e que é transmitido aos humanos pelo contacto com carne, sangue ou outros fluídos infectados.

Estas passagens do vírus de animais para humanos são conhecidas como “eventos zoonóticos” e também foram a causa de grandes epidemias como o HIV e a gripe suína. O novo mapa, divulgado, esta segunda-feira, quando o saldo de mortes do maior surto do Ébola da história no oeste africano chegou a quase 2.100, revelou que vastas áreas do centro da África, assim como a porção ocidental do continente, exibem características do que os cientistas chamaram de “zona zoonótica” para o Ébola.

Nick Golding, pesquisador da Universidade Oxford que trabalhou na equipe internacional de mapeamento, disse que o grupo encontrou uma quantidade significativamente maior de regiões sob risco de um surto do Ébola do que se temia.

“Até agora não tinha havido uma grande quantidade de pesquisas, mas surgiu uma monografia na qual a área sob risco era muito menor”, afirmou em entrevista por telefone. “Ela não previu, por exemplo, a região da Guiné onde a epidemia actual surgiu”.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o surto actual contaminou pelo menos 4 mil pessoas em Guiné, Serra Leoa, Libéria, Nigéria e Senegal, e que levará meses para controlar a epidemia, alertando que os casos podem chegar a 20 mil antes que seja contida.

O estudo de Golding, publicado no periódico online eLife, não procurou mapear a contaminação em potencial de humanos para humanos, mas concentrou-se nos locais onde há risco de contágio através de animais.

Entretanto, os cientistas notaram que o surto actual deve-se quase que inteiramente à propagação de pessoa a pessoa. “Este trabalho foi um primeiro passo para entender onde os surtos da doença podem ocorrer no futuro”, afirmou Golding.

“Para nos prepararmos para epidemias futuras e lidar com a actual, temos que entender como a movimentação humana leva a doença a se espalhar uma vez que tenha contaminado a população humana”.

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