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Manifestante pró-Mursi é morto, e tensão agrava-se no Egito

Um membro da Irmandade Muçulmana foi baleado e morto, e pelo menos 11 pessoas ficaram feridas na terça-feira no Egito, segundo as forças de segurança, num dia em que o grupo islâmico apontou policiais à paisana como autores de disparos contra uma passeata. A morte pode acirrar o impasse entre o governo provisório e a Irmandade, que exige a reinstauração do mandato do presidente Mohamed Mursi, deposto em julho por militares.

Apesar das ameaças dos últimos dias, as autoridades se abstiveram de usar a força para dissolver dois acampamentos da Irmandade no Cairo, e uma autoridade religiosa conseguiu algum avanço no estabelecimento de negociações. Mas os vários incidentes nas ruas mostram que o Egito permanece perigosamente dividido.

Pela manhã, milhares de partidários de Mursi saíram em passeata até o Ministério do Interior, onde foram confrontados com moradores que atiraram pedras e garrafas e chamaram os manifestantes de “terroristas”. A polícia usou gás lacrimogéneo contra a passeata, que paralisou o trânsito no Cairo.

“Não há como avançar nas negociações, o único caminho é para trás. Mursi deve ser reinstalado”, disse o estudante Karim Ahmed, que usava um capacete azul de operário e agitava uma foto de Mursi enquanto atirava pedras contra a sede do ministério. Mas, nos dois acampamentos dos partidários de Mursi, as coisas permaneciam calmas.

Algumas autoridades desejam evitar um confronto violento, o que poderia prejudicar os esforços do governo para se apresentar como legítimo. Por outro lado, radicais no Exército e nas forças de segurança defendem uma intervenção, para impedir que o movimento da Irmandade cresça.

Mais de 300 pessoas já morreram na violência política no Egito desde a derrubada de Mursi, incluindo várias dezenas de partidários dele alvejados por soldados em dois incidentes ocorridos ao longo das seis semanas de impasse.

Mursi foi o primeiro presidente democraticamente eleito na história do Egito, depois da derrubada do regime autocrático de Hosni Mubarak. Mas ele não conseguiu resolver os problemas económicos do país e assustou muitos egípcios com aparentes esforços para dar um caráter mais islâmico ao país, o mais populoso do mundo árabe. Em 3 de julho, após imensas manifestações pela renúncia de Mursi, os militares o derrubaram.

Os esforços internacionais para resolver a crise fracassaram na semana passada. Mediadores estrangeiros dizem que a Irmandade deveria aceitar que Mursi não será devolvido ao poder, mas que as novas autoridades devem trazer a Irmandade de volta para o processo político. Uma iniciativa da mesquita e universidade islâmica Al Azhar, principal autoridade religiosa do Egito, trouxe certa esperança de que os lados em conflito possam finalmente negociar.

O Partido Nour, segundo maior partido islâmico do Egito, previu que as negociações poderão começar muito em breve, mas a Irmandade sinalizou que só participará sob determinadas condições. “Se eles mantiverem as regras que estamos pedindo, sim”, disse Gehad el Haddad, porta-voz da Irmandade, acrescentando que as discussões devem ter como base “a restauração da legitimidade constitucional”.

O esforço, no entanto, fica complicado pela inimizade entre a Irmandade e o grão-xeique da Al Azhar, Ahmed el Tayeb, que apoiou a ação militar que derrubou Mursi.

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