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Lugo destitui militares no Paraguai por medo de ser derrubado

A surpreendente destituição na quarta-feira da cúpula militar do Paraguai por parte del presidente Fernando Lugo foi uma resposta a seus opositores, que ameaçavam derrubá-lo, como aconteceu com Manuel Zelaya em Honduras, disseram analistas militares na quinta-feira à AFP.

“Foi levantada a questão da conspiração e a resposta aos que o querem levar (a Lugo) a um beco sem saída foi esta. Definitivamente, Lugo não quer seguir os passos do presidente Zelaya”, afirmou à AFP o observador militar Horacio Galeano, que foi ministro da Educação há até quatro meses.

Já o analista político Mario Elizeche considerou que quem pretende destituir Lugo é “o mesmo grupo que derrubou o presidente Raúl Cubas em 1999. É o stroessnerismo (o ex-ditador Adolfo Stroessner) envenenado que não termina”, afirmou.

Na terça-feira, Lugo havia admitido a possibilidade de existência de “alguns bolsões de militares que podem ser usados pela classe política” opositora. “Institucionalmente as forças armadas não se prestarão a nenhum tipo de intentona golpista”, disse em entrevista à imprensa. Mas, menos de 24 horas depois anunciou num surpreendente comunicado a destituição de seus três comandantes de armas.

São eles o comandante do Exército, general Oscar Velázquez; o da Marinha, contra-almirante Claudelino Recalde; e o da Força Aérea, Darío Dávalos, substituídos, respectivamente, pelo general Bartolomé Pineda, pelo contra-almirante Egberto Orué e pelo general Hugo Aranda.

“É uma humilhação, uma falta de respeito. Vão dizer que eles são conspiradores. Não merecem ser manipulados como o fez o presidente Lugo”, disse o ex-comandante das Forças Militares, general Bernardino Soto, que passou para a reserva no final de 2008 e é hoje activista do opositor partido Colorado (o partido de Stroessner).

O comandante das Forças Militares, contra-almirante Cíbar Benítez, que deve passar para a reserva em Dezembro, negou a existência de sectores golpistas entre os militares. Já o senador Juan Carlos Galaverna (Partido Colorado, opositor) considerou que Lugo fez as mudanças para levar adiante um plano para diminuir as Forças Armadas e convertê-las numa “guarda presidencial ao estilo (da do presidente venezuelano Hugo) Chávez”.

A mudança da cúpula militar foi feita menos de uma semana depois de a oposição ter manifestado contar com a maioria de dois terços necessária para levar Lugo a um julgamento político “por mal desempenho” das funções. O mandato de Lugo vence em 2013.

A Constituição paraguaya estabelece que o presidente pode ser afastado por dois terços dos votos. A popularidade de Lugo – um ex-bispo que deixou a batina para ser presidente – vem caindo desde o escândalo da paternidade, denunciada por três mulheres que tiveram filhos com ele.

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