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Londres tinha dúvidas sobre armas de destruição em massa iraquianas em 2003

A Grã-Bretanha recebeu, justamente antes de participar da invasão do Iraque, em 2003, informações segundo as quais Saddam Hussein havia desmantelado suas armas de destruição em massa, afirmou na quarta-feira um ex-funcionário de alto escalão do Foreign Office, na comissão que investiga a participação britânica neste conflito.

A existência de armas de destruição em massa (ADM) no Iraque foi o argumento privilegiado por Washington, Londres e os países que os apoiaram, como Espanha, para justificar a invasão, embora elas nunca tenham sido encontradas. No segundo dia de audiências públicas em Londres da Comissão Chilcot, o então director de segurança internacional do Ministério britânico de Relações Exteriores, William Erhman, declarou que a Grã-Bretanha recebeu informação de que estas armas poderiam ter sido “desmontadas” antes da invasão, iniciada em 20 de Março de 2003.

“Nos últimos dias antes da acção militar recebemos alguma informação de inteligência sobre armas químicas e biológicas que haviam sido desmanteladas e que o Iraque poderia não ter munições para utilizá-las”, declarou à comissão presidida por John Chilcot. “Havia dados contraditórios, portanto, não acredito que invalidará o argumento sobre os programas de Saddam Hussein. Era mais sobre seu uso”, acrescentou. “Embora estivessem desmontadas, os agentes (químicos e biológicos) continuavam existindo”, disse.

Em 24 de Setembro de 2002, o então primeiro-ministro britânico Tony Blair, apresentou um documento segundo o qual Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa que poderiam ser utilizadas 45 minutos após uma ordem. Posteriormente, ficou demonstrado que o documento havia sido “inflado” e que foi acrescentada a menção 45 minutos para torná-lo mais atraente. Tim Dowse, outra testemunha do dia, negou a ideia de um pacto entre Saddam Hussein e a Al-Qaeda também levantado pelo presidente americano George W. Bush.

“Encontramos provas de contatos entre responsáveis iraquianos membros da Al-Qaeda no final dos anos 1990”, explicou. “Mas chegamos à conclusão de que se tratavam de contatos muito esporádicos”. Segundo Dowse, o regime iraquiano não estava, em 2001, entre as principais preocupações de Londres em termos de proliferação nuclear, mais voltadas, na época, para Líbia e o Irã. A comissão, que iniciou terça-feira a primeira série de audiências públicas sobre a participação britânica na guerra do Iraque, deve publicar seu relatório final em 2010.

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