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Khadafi diz que “milhares vão morrer” se a NATO entrar na Líbia

O contestado líder líbio Muammar Khadafi desafiou “quem quiser” a provar que é ele “quem exerce o poder na Líbia”, e jurou que “milhares de pessoas vão morrer” se forças norte-americanas ou da NATO entrarem no país, que, diz, está a ser “vítima” de uma conspiração instigada pela Al-Qaeda.

Insistindo que não é mais do que “uma referência, um símbolo, um guia”, num novo discurso que está a fazer em Trípoli na celebração do 34º aniversário da república líbia – a Jamahiriya, Estado do povo –, Khadafi afirma que “a autoridade e o poder estão nas mãos do povo”.

“O nosso regime não é presidencial nem parlamentar, nem uma monarquia. Desafio quem quer que seja que diga que sou eu quem exerce o poder. O nosso sistema é baseado na autoridade do povo e eu não exerço qualquer cargo político”, afirmou, neste discurso que está a ser transmitido pela televisão estatal líbia.

E prossegue: “Ouvi notícias nos media a mencionarem o meu nome, e ri-me. O que é que isto tem a ver comigo? Eu levei a cabo a revolução [o golpe militar de 1969, que depôs o rei Idris] e depois afastei-me. Agora, todo o poder e autoridade está nas mãos do povo e eu sou um mero conselheiro”.

O coronel, que governa autoritariamente a Líbia há 42 anos, defende ainda que a rebelião em curso no país “não vem de dentro”. “Tudo isto está a ser provocado de fora”. A cada intervenção, Khadafi é aplaudido pela multidão reunida dentro do salão da enorme tenda montada na capital para a celebração, que o aclama e jura defender “o herói do povo livre”. Uma mulher, junto ao palco, grita a um microfone: “És uma espada que não verga. Não partas, tu não partirás”.

“Se forem a qualquer parte da Líbia, verão que está tudo a ser filmado, gravado. Há manifestações maciças de apoio ao líder, em desafio ao mundo inteiro”, reitera Khadafi, mantendo a teoria que a rebelião que varre o país – e que já conquistou extensas partes do território – não é mais do que feita por “uns poucos”.

Mas, continuando, admite porém que a revolta está a espalhar-se, fazendo referência aos combates que ocorrem em várias cidades, aos “ataques” que os revoltosos fizeram sobre vários batalhões militares e quartéis, e à conquista de localidades pelas forças da oposição, nomeadamente a cidade de Bengasi, no Leste da Líbia.

“E agora, as pessoas que querem manifestar-se a meu favor são impedidas de o fazer, os terroristas impuseram cerco às pessoas pela força das armas”.

De novo, vira acusações à Al-Qaeda: “A célula adormecida em Al-Baida [onde começaram os primeiros protestos, a par de Bengasi] lançou um ataque contra o quartel da cidade e as esquadras da polícia”, sustenta, sublinhando que terroristas estavam também em Zauia, Bengasi e Misurata que – reconhece oficialmente – “saíram do controlo da Líbia”.

“Eles disseram não ter nacionalidade. Eles acreditam que o mundo islâmico é a casa de todos eles. Eles atacaram polícias, dispararam contra soldados e polícias líbios. Como é possível que aqueles que dão segurança aos cidadãos possam ter sido assim atacados por gente estrangeira?”

“E nada mais do que isto está a acontecer. Porém, jornalistas estrangeiros contam coisas que não aconteceram, que não estão a acontecer, e eles nem sequer cá estão, porque a Líbia não gosta de correspondentes [dos media] estrangeiros. Desconfiamos sempre deles, porque são ambíguos, falsos. E as mentiras são amplificadas.

Não houve nenhumas manifestações [anti-regime] pacíficas na Líbia. Alguma vez viram terroristas a manifestar-se pacificamente em algum lugar do mundo? O que houve foram ataques de gente que desatou a disparar contra as forças de segurança.

E os terroristas agora andam por aí a tomar tudo de assalto, a violar mulheres, a fazer quartéis dentro de mesquitas, a assaltar prisões e a libertar criminosos a quem estão a dar armas”, afirma Khadafi, mantendo um discurso de perfeito alheamento à situação real no terreno.

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