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Julgamento de Berlusconi por caso sexual começa e logo é adiado

O julgamento do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, pela acusação de ter contratado uma menor de idade para fazer sexo foi aberto esta quarta-feira e imediatamente adiado para 31 de maio, após uma audiência que durou apenas dez minutos. Berlusconi, que sofreu efeitos políticos negativos limitados em função do caso apelidado de “Rubygate”, não compareceu à audiência, preferindo presidir uma reunião ministerial em Roma.

Multidões de críticos e partidários do primeiro ministro enfrentaram-se verbalmente do lado de fora do tribunal, discutindo se Berlusconi de 74 anos deve ir à prisão por sua ligação com a jovem marroquina Karima El Mahroug, dançarina de boate cujo nome profissional é Ruby.

Berlusconi é acusado de ter dado dinheiro e joias a Ruby em troca de sexo quando ela tinha 17 anos. As leis italianas proíbem a prostituição de menores de 18 anos. O primeiro-ministro também é acusado de abuso de poder por ter intercedido para que ela fosse solta quando estava detida pela polícia por alegações de furto. Ele nega a acusação.

El Mahroug, que também é testemunha no julgamento, não compareceu ao tribunal, mas sua advogada reiterou que ela desmente ter dormido com Berlusconi. “Ruby confirma que nunca fez sexo com o primeiro-ministro”, disse Paola Boccardi a repórteres diante do tribunal.

Cerca de cem equipes de televisão de países tão distantes quanto a Austrália disputaram espaço diante do tribunal, depois de três juízas terem proibido sua entrada no recinto. Mais ou menos cem jornalistas lotaram o tribunal.

Críticos do primeiro-ministro, que também enfrenta julgamentos por corrupção e sonegação fiscal, disseram duvidar que o caso “Rubygate” seja levado a termo algum dia. “Estou revoltado, porque nunca vão sentenciá-lo. A lei não é igual para todos. Se eu roubasse uma maçã, seria preso”, disse Aldo Giassi, 86, que usava uma máscara de Berlusconi.

Os partidários do primeiro ministro, que montaram uma tenda diante do tribunal, repetiram o argumento do próprio Berlusconi, dizendo que ele está sendo perseguido por esquerdistas que querem destruí-lo politicamente. “Isso não passa de calúnia. Querem denegrir nosso primeiro-ministro”, disse Giovanni Esposito.

Já atingido por uma revolta partidária no ano passado que quase afundou seu governo de centro-direita, Berlusconi certamente foi prejudicado pelo escândalo, que atraiu a condenação de grupos de mulheres, a Igreja Católica e o principal lobby empresarial da Itália. Muitos italianos acham que Berlusconi vem focando seus próprios problemas legais em detrimento de questões como a economia pouco dinâmica, o alto índice de desemprego juvenil e a segurança.

Mas a opinião pública italiana, tradicionalmente leniente em questões de moralidade pessoal, não tem sido tão condenatória quanto seria em muitos países, e a maioria parlamentar em favor de Berlusconi vem tendo força suficiente para barrar os chamados da oposição por sua renúncia.

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