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Juíza do caso de raptos em Maputo e Matola sofre ameaças

A juíza Berta Zita, que está a julgar os quatro indivíduos acusados de cometer crime de cárcere privado (rapto) contra o empresário moçambicano Ibrahim Gani, está a ser vítima de ameaças. O @Verdade apurou junto do Ministério do Interior (MINT) que por conta das alegadas ameaças, ela solicitou protecção pessoal e para a sua casa.

Ainda não foi possível apurar o tipo de ameaças de que a juíza está a ser sujeita nem de que forma estão a ser feitas, facto, porém, é que “ela já não pode circular sem guarda-costas.” Neste momento, “a juíza Berta Zita está a ter protecção pessoal e domiciliária”.

Entretanto, de acordo com informações em nosso poder, a juíza em causa não é a única pessoa que, pelo seu envolvimento no julgamento desse caso, está a sofrer intimidações. Consta-nos ainda que a vítima do rapto, Ibrahim Gani, e seus familiares estão também a passar o mesmo sufoco.

Aliás, estas informações ganharam forma quando Gani, proprietário da Incompal, no dia 29 de Agosto último, ouvido em sede do Tribunal Judicial de Maputo, onde decorre o julgamento, não reconheceu nenhum dos quatro indiciados. Na altura, o empresário argumentou que não conseguia se recordar das características dos seus raptores porque durante o período em que esteve no cativeiro a sua única preocupação era ser restituído a liberdade, para além de que não tinha o contacto visual com os criminosos.

Na mesma audição foi ouvido o cunhado da vítima, o cidadão Afzal Amade, tido como quem foi remeter a queixa à Esquadra dando pelo desaparecimento de Gani.

Afzal, por sua vez, em Tribunal, recusou este facto afirmando que apenas fora a Esquadra informar à polícia que iria retirar o carro de Ibrahim que estava “abandonado” na rua. Portanto, uma medida cautelar para futuramente não ser acusado de algo relacionado com o sumiço de Gani.

Não pagamos nada

Ainda na senda das ameaças, o irmão de Gani, por este indicado como tendo sido a pessoa que teria negociado o resgate, Issufo Momed, afirmou em sede do Tribunal, nesta terça-feira (03), não ter pago nenhum valor aos raptores para a libertação do seu irmão supostamente porque a família não tinha dinheiro.

No entanto, no seu informe, em Maio passado, o Procurador-Geral da República (PGR), Augusto Paulino, referindo-se ao rapto de Ibrahim Gani, indicou que a família deste teria pago para resgate um milhão de meticais.

Esta onda de ameaças poderá ter efeitos no processo ora em julgamento, uma vez que está a gerar um clima de medo obrigando os envolvidos no caso a se refugiarem no silêncio, o que poderá dificultar a aferição da verdade por parte do Tribunal.

A partir da próxima terça-feira (10), iniciam as alegações por parte dos intervenientes processuais. O Ministério Público (MP) deverá apresentar os seus argumentos de prova de cometimento de crime pelos quatro réus, e, por sua vez, a defesa tentará provar a inocência dos seus constituintes.

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