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Jovem rapta e mata sobrinha da esposa

Durante anos, Miquelina Jaime, cuja idade não conseguimos apurar, e António Olesse, de 30 anos de idade, viveram em união de facto, porém, a relação era conturbada. Algumas desinteligências entre o casal terminavam em pancadarias e, por várias vezes, foi necessária a intervenção de terceiros. Por falta de condições para se manter casada com um homem violento, a senhora divorciou-se mas a sua sobrinha, Lúria Rúben, de apenas três anos de idade, pagou com a própria vida. O jovem assassinou e enterrou a criança, algures em Marracuene.

Segundo a família da petiza morta, Miquelina Jaime e António Olesse viviam juntos numa casa arrendada no bairro da Zona Verde, no município da Matola. Nos finais de 2012, o cônjuge começou a transformar a vida da mulher num verdadeiro sofrimento caracterizado por maus-tratos e outras atitudes abomináveis. Houve várias agressões e, numa delas, por sinal a que originou a separação, Miquelina ficou gravemente ferida a ponto de ser submetida a cuidados médicos.

Os parentes da jovem contaram-nos, também, que António Olesse já agrediu a esposa, mesmo em casa dos sogros. Entretanto, inconformado com o desquite, o homem sequestrou Lúria Rúben, sobrinha da esposa, acabou com a sua vida e enterrou o corpo num terreno inabitado no bairro Kumbeza, no distrito de Marracuene, na província de Maputo, com o intuito de não deixar rastos do crime.

Na altura em que Miquelina se separou do marido, passou a viver na residência dos progenitores. Estes, por receio do comportamento violento do genro, esconderam a descendente em casa de uma tia, onde continuou a receber a medicação por causa das contusões. Na tentativa de coagir os pais da sua mulher com vista a convencer a filha a reatar a relação, António Olesse dirigiu-se, sucessivas vezes, à residência dos sogros na companhia de supostos conselheiros com a finalidade de manifestar o seu arrependimento e pedir desculpas pelos maus-tratos a que sujeitava a esposa.

O progenitor de Miquelina aceitou o pedido de perdão mas não revelou, de forma alguma, o paradeiro da descendente, o que deixou o jovem furioso que preferiu ameaças contra a mesma família à qual acabava de pedir desculpas. Volvidos alguns dias, António Olesse decidiu materializar a sua pretensão de vingança. Numa segunda-feira, 04 de Fevereiro de 2013, por volta das 10h:00 da manhã, o jovem dirigiu-se ao domicílio dos sogros com o objectivo de efectuar uma visita. Chegado ao local, ele encontrou somente Lúria Ruben, a quem ofereceu quatro meticais alegadamente para comprar pipocas num lugar muito próximo de casa.

Nesse momento, António Olesse despediu-se dos vizinhos e alegou que ia comprar uma recarga para o seu telemóvel a fim de telefonar para os sogros. Quando saiu da residência, localizou Lúria através das peugadas. Mais tarde, ao aperceber-se da ausência da neta, os avós contactaram o genro para saber se ele teria conhecimento do paradeiro da menina. António Olesse confirmou que Lúria estava na sua casa, mas só podia regressar no dia seguinte. Apesar de estarem preocupados, os parentes deram pouca importância ao facto de a petiza estar nas mãos de uma pessoa que prometeu vingança.

Transcorridos dois dias, a criança não regressou à casa dos avós nem dos pais. António Olesse viajou para a cidade de Chimoio sem informar a ninguém, facto que aumentou a preocupação, uma vez que a família ainda tinha memórias das ameaças de vingança feitas pelo jovem.

A relutância de Olesse em devolver Lúria para o domicílio dos pais fez com que o casso chegasse aos ouvidos da Polícia da 7ª esquadra do bairro T3, no município da Matola, onde os parentes da criança abriram um processo-crime contra o suposto raptor.

A corporação daquela unidade transferiu o processo para a 1ª esquadra da Polícia na cidade de Chimoio com um mandado de busca e captura do suposto sequestrador. Uma semana depois, na urbe de Chimoio, Olesse foi preso mas Lúria já não estava na sua companhia. O jovem esteve enclausurado em várias cadeias, dentre as quais a Central de Maputo.

A dado momento, o homem que maltratava a criança por não aceitar a separação, disse à família da esposa que a menina se encontrava no distrito de Nhamatanda, na província de Sofala, em casa de uma senhora que fabricava e vendia bebidas alcoólicas tradicionais. Mas isso não passa de mentira porque quando Miquelina se dirigiu ao local indicado, para procurar a sobrinha, esta não estava nem em nenhum canto daquela província. O desespero da família aumentou e as esperanças começaram a ruir a cada dia que passava, pois já se pensava no pior.

Mais tarde, Olesse foi restituído à liberdade, facto que causou indignação nas pessoas que tinham conhecimento de que Lúria estava desaparecida desde Fevereiro. Volvidos meses, só na sexta-feira passada, 18 de Outubro, é que o jovem disse a verdade, depois de escapar do linchamento graças à intervenção da Polícia. Na esquadra de T3, ele deu a má notícia: matou Lúria no dia do sequestro, ou seja, antes de partir para a cidade de Chimoio, e enterrou o corpo em Marracuene. Para provar o que acabava de dizer, Olesse levou a família até ao local onde havia sepultado a menina, de forma indigente.

Os pais da menor exigem justiça e aplicação de uma pena exemplar contra o suposto assassino que, neste momento, está novamente a contas com os agentes da Lei e Ordem.

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