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Jovem assassinado no Missouri é lembrado com clamores pela paz e justiça

Familiares e amigos celebraram, esta segunda-feira (25), a vida de Michael Brown, adolescente negro morto por um policial na cidade de Ferguson, no Estado norte-americano do Missouri, num velório repleto de música e clamores para que ele seja lembrado com paz e mudanças políticas.

Milhares de pessoas espremeram-se na igreja baptista onde o serviço foi realizado e fora, na avenida Dr. Martin Luther King, em St. Louis, um cenário contrastante com as manifestações violentas que abalaram a cidade suburbana depois do assassinato a tiros do jovem de 18 anos desarmado.

A morte de Brown concentrou a atenção nas tensões raciais nos Estados Unidos, e os protestos evocaram a crítica ao uso de equipamento militar, às tácticas truculentas da polícia local e à discriminação contra negros nas batidas policiais.

Um júri começou a ouvir testemunhos sobre o tiroteio, e o Departamento de Justiça dos EUA abriu a sua própria investigação. Comentando o caso Brown, o reverendo Al Sharpton, activista de direitos civis, pediu um inquérito justo e imparcial sobre o assassinato e o fim da brutalidade policial.

“Michael Brown não quer ser lembrado por tumultos”, declarou Sharpton, “mas como aquele que fez os Estados Unidos encararem a maneira como vamos fazer o policiamento no país”.

Mas ele conclamou a comunidade negra a pôr fim aos episódios de violência e saques nas ruas que mancharam o nome de Ferguson. “Temos que ficar ultrajados por nosso desrespeito uns pelos outros”, afirmou. “Alguns de nós agem como se a definição de negritude fosse o quão baixo você consegue ir.”

Do da igreja, a presença policial era intensa, mas discreta. As autoridades prepararam-se para possíveis confrontos entre os manifestantes e a polícia, embora estes tenham se reduzido significativamente nos últimos dias.

A multidão repetiu o já familiar “mãos para cima, não dispare”, que vem sendo entoado pelos manifestantes nas ruas de Ferguson. Há diferentes relatos sobre a morte de Brown.

A polícia afirma que ele lutou com o policial que o alvejou e matou, mas testemunhas dizem que Brown levantou as mãos e que estava a entregar-se quando foi atingido várias vezes na cabeça e no peito.

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