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Jogos Olímpicos entre o cepticismo e a indiferença dos moçambicanos

Jogos Olímpicos entre o cepticismo e a indiferença dos moçambicanos

Moçambique está presente na 30ª edição dos Jogos Olímpicos que desde a passada quarta-feira decorrem na cidade britânica de Londres apesar de esta sexta-feira ter sido o dia de abertura oficial. O país é representado por 6 atletas que vão a todo custo tentar sair vitoriosos nas quatro modalidades que nos levam a Londres nomeadamente o atletismo, o judo, o boxe e natação cuja estreia está marcada para este sábado pela manhã.

Néusio Sigaúque (judoca na categoria dos 60 quilos), Juliano Máquina (pugilista na categoria dos 49 quilos), Chakil Camal (atleta dos 100 metros livres em masculinos), Jéssica Viera (nadadora dos 50 e 100 livres em femininos), Kurto Couto (atleta dos 100 metros barreira) e Sílvia Panguana (atleta 50 e 100 metros livres) são os nossos representantes.

Não obstante, o jornal @Verdade foi ao encontro de alguns cidadãos para junto deles saber sobre qual a expectativa em torno da participação do país representado por estes seis desportistas neste evento. Numa avaliação global, os cidadãos por nós abordados são unânimes em retirar o favoritismo a Moçambique até porque, segundo eles, ainda há muito por se fazer internamente para que possamos voltar a ganhar medalhas olímpicas.

Chil David Emerson

Foi o nosso primeiro entrevistado e afirma que está informado acerca das olimpíadas e diz também acompanhá-las com enorme expectativa outrossim, aguardando ansiosamente a entrada em cena dos representantes das cores nacionais. Chil é bastante optimista na participação da delegação moçambicana e apesar de reconhecer que há trabalhos de casa ainda por fazer, acredita que Moçambique pode triunfar: “Carrego a esperança de que seremos vencedores de algumas medalhas e destes que foram, acredito que há atletas que estão em alto nível de competição até porque só por fazer parte daquele evento já é sinónimo de grandeza. Temos de acreditar e dar confiança que é o que eles mais precisam”.

Contudo é no Neuso Sigaúque atleta de judo que Chil deposita maior confiança até porque Moçambique segundo ele, já é uma potência na modalidade acrescentando que “independentemente das condições que temos, há algo superior ao investimento desportivo que é a força de vontade. “Isto, nós já provamos nas artes marciais” sentencia.

Sobre o debate que se coloca das razões que levam Moçambique a ter participações negativas em eventos, Chil é claro e peremptório: É a má preparação dos atletas que está por detrás disso senão vejamos: Nós temos piscinas, temos templos de artes marciais e temos ringues nas condições que temos, mas é o que temos. Por que os atletas não se esforçam mais? Ou será isso também culpa do Governo?

Jaime Balói

É um no meio de tantos outros cidadãos que estão a leste deste evento. Mas as suas razões em nada têm a ver com o facto de não gostar de desporto. Pelo contrário, Jaime é um indivíduo decepcionado com o desporto nacional principalmente quando se trata de competições internacionais onde Moçambique está envolvido.

Diz nas suas curtas palavras que “vejo muitas modalidades que com um pouco de incentivo levam a bandeira do país além fronteiras mas o governo, infelizmente é este que temos que dá prioridade a uma modalidade com poucas projecções” em clara alusão aos Mambas.

Todavia, Jaime Baloi acusa: “A falta de informação também gerou o meu desinteresse senão estaria aqui a dizer-te o nome das modalidades e dos atletas que vão nos representar”.

Mukilinia Soares

Para quem não conhece, Mukilinia é a seleccionadora nacional de Karate e como entendida na matéria, procuramos dela saber o que acha sobre a participação de Moçambique nesta trigésima edição dos Jogos Olímpicos. De uma forma geral, Mukilinia diz-se optimista na prestação moçambicana e avança que “apesar dos adversários serem mais fortes e mais experientes, espero que os nossos atletas tenham aproveitado e se concentrado muito bem no estágios que tiveram”.

Para Neuso Sigaúque e Juliano Máquina, nossos representantes de judo e boxe respectivamente, a jovem seleccionadora nacional orienta: “Eles precisam entrar para o tatame ou ringue com a máxima concentração e estudarem muito bem os movimentos do adversário. Esse pode ser o segredo do sucesso”.

No fim, ela atira “Sigas é o homem bronze” como quem diz que o Neuso Sigaúque poderá conquistar a medalha de bronze.

Amade Tajú

Amante assumido de desporto, Amade diz ter acompanhado desde o inicio a preparação dos moçambicanos para o evento. Contudo, sentiu que houve falta de apoio quer do governo quer de entidades patrocinadoras para se elevar no máximo os níveis de confiança dos e, aos atletas. No seu ver, aos atletas durante a preparação foram oferecidas condições extremamente dispares o que se repercutirá na prestação dos mesmos nestes jogos.

Para Tajú, o atleta Kurto Couto é o único representante digno do país pelo que os restantes foram a Londres apenas para obterem experiência. Para não ser confundido como um apóstolo da desgraça, o nosso interlocutor alega que “o problema do nosso país está na formação e no investimento do próprio desporto. Nós só nos preocupamos quando estamos perante uma competição e exijimos sempre resultados”.

Américo Nguetsa

“Pouco ou nada sei acerca. Aliás, estes jogos não têm peso nenhum comparativamente aos dos anos anteriores” introduz-se. Américo Nguetsa não esconde a sua indiferença para com a participação moçambicana nestes Jogos Olímpicos de Londres e acusa os Media por não os terem publicado devidamente como outrora acontecia aquando das participações da Lurdes Mutola.

Aliás, é do passado que o nosso entrevistado socorre-se para justificar que desta vez o país não foi “vendido” como deveria ser. Diz que apenas conhece Kurt Couto e o cepticismo fala mais alto quando é questionado sobre a expectativa da participação de Moçambique nestas olimpíadas: “Será difícil voltar a ter uma Lurdes Mutola neste país enquanto houver distanciamento entre a política desportiva e o próprio desporto sobretudo na formação”.

“O caminho a percorrer no desporto ainda é longo mas quem sabe futuramente poderemos voltar a apoiar em harmonia os nossos atletas fora de portas?!” Decreta Américo.

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