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Irritados com inação da ONU, sauditas rejeitam vaga no Conselho de Segurança

A Arábia Saudita rejeitou, esta sexta-feira (18), uma cobiçada vaga no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, numa rara demonstração de insatisfação com o fracasso da comunidade internacional em lidar com a guerra na Síria e com outras questões do Oriente Médio.

O reino condenou a suposta ambiguidade internacional em relação ao Oriente Médio e exigiu reformas no Conselho de Segurança, onde os desentendimentos entre os principais membros impedem qualquer acção a respeito da Síria. No passado, a frustração de Riad estava dirigida principalmente à Rússia e à China, mas agora ela se estende a Washington, o seu mais tradicional aliado internacional, que desde a Primavera Árabe adopta políticas que contrariam os governantes sauditas.

Além da guerra civil síria, o governo saudita citou também o fracasso do Conselho de Segurança em resolver o conflito israelo-palestino e em impedir a proliferação nuclear no Oriente Médio. Em nota, a chancelaria afirmou que a Arábia Saudita “está a evitar se tornar membro do Conselho de Segurança da ONU até que ele seja reformado de modo a realizar de forma efectiva e prática os seus deveres e cumprir as suas responsabilidades na manutenção da segurança e da paz internacionais”.

A Arábia Saudita, que integra a ONU desde a sua fundação, foi um dos cinco países eleitos na quinta-feira para um mandato de dois anos no Conselho, que tem um total de 15 países. O Conselho de Segurança, que tem poder de autorizar acções militares, impor sanções e estabelecer operações de paz, tem 10 membros temporários, eleitos por um sistema de rodízio regional.

Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e China são membros permanentes com poder de veto. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse não ter recebido nenhuma confirmação oficial da Arábia Saudita sobre a recusa. Seria a primeira vez que os sauditas participariam do Conselho. O único caso anterior em que um país abandonou o Conselho de Segurança foi em 1950, quando a União Soviética boicotou a sua vaga permanente durante meio ano, em protesto por Taiwan ocupar na época o lugar que deveria ser da China.

Tradicionalmente, o conservador reino saudita evita afirmações políticas incisivas, preferindo exercer a sua influência pelo facto de ser o maior exportador mundial de petróleo, berço do islamismo e principal aliado árabe dos EUA nos bastidores. Os governantes sunitas do país travam contra o Irão, um país xiita e não-árabe, o que veem como uma disputa crucial para o futuro do Oriente Médio, a qual se reflecte no conflito sírio.

Riad apoia os rebeldes que tentam derrubar o presidente Bashar al-Assad, que por sua vez tem no Irão um dos seus principais aliados. Há duas semanas, o chanceler saudita, príncipe Saud al-Faisal, já havia cancelado o seu discurso na Assembleia-Geral da ONU, no que as fontes diplomáticas apontaram como uma reacção à inação internacional.

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