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Inflação é um sintoma saudável de uma economia em crescimento *

Lemos nesta quarta-feira como o governo, “em conivência com a Associação Moçambicana dos Panificadores (AMOPÃO)”, decidiu aumentar por um metical e cinquenta centavos o preço do pão – um acto ultrajante que talvez mereça uma greve geral ou revolta similar a vista em 2010, quando vimos este tipo de inflação.

A solução em 2010 foi para o Banco de Moçambique gastar as reservas de moedas estrangeiras, para fortalecer o metical, permitindo a importação de farinha e outros produtos alimentares a preços baixos – um acto que enfraqueceu produtores agrícolas ainda mais, no interesse – a curto prazo – de quem vive nas cidades deste país. Os agricultores é que pagaram, e ainda estão a pagar. É importante que o país não cometa o mesmo erro desta vez – e por isso, e importante que a população esteja consciente de que um pouco de inflação deve ser acolhida.

Inflação é uma sintoma normal duma economia em crescimento. Analistas não concordam sobre a taxa de crescimento – o governo disse esta semana que a economia moçambicana vai crescer 7.8% este ano, Standard Bank disse 5.5% – mas concordam que a economia está a crescer.

É por isso que o preço do pão, que a AMOPÃO disse que subiu esta semana pela primeira vez desde 2008, tinha que ser aumentado. De acordo com a AMOPÃO, o salário mínimo aumentou quatro vezes nos passados sete anos. O preço do pão ficou estagnado.

Usando a minha calculadora electrónica, fiquei a saber que num mês de 30 dias, o família da imaginação do estimado editor do @Verdade precisa de 4.170 meticais por mês. Isto é mesmo mais do salário mínimo duma trabalhadora no sector da agricultura, mas se a esposo também fizer algum trabalho, ou se ela trabalha em qualquer outro sector, e muito possível atingir este rendimento. Não estou a dizer que a maioria dos moçambicanos não estão pobres. Infelizmente estão – e muitos, como o artigo em referencia disse, não estão a sentir os efeitos da economia em crescimento. Mas a solução não fica no controlo artificial dos preços. O dinheiro que o governo gasta nos subsídios de farinha, gastaria melhor se simplesmente pós nas bolsas das pessoas mais pobres deste país. Neste caso, os ricos ficariam a pagar o preço verdadeiro do pão, enquanto os pobres beneficiaram ainda – e ainda mais – da ajuda do governo na compra do pão de cada dia.

No sector do transporte público temos um bom exemplo do que acontece quando o governo mexe nos preços. O preço de uma viagem de autocarro e tão baixo que ninguém consegue fornecer transporte condigno a esse preço. O que acontece e que moçambicanos são forçados a viajar até ao trabalho em veículos que nem deveriam transportar gado – e tão cheios que ficam que não só são desconfortáveis mas também são perigosos. Os condutores também têm de conduzir tão rápido para conseguir sobreviver da renda dos passageiros.

Se os operadores de “chapas” e machibombos pudessem cobrar o que querem, acredito que iríamos ter melhores “chapas” que pagamos, por exemplo, 25 meticais por viagem. Talvez existissem os “my loves” ao lado que custam só 9 meticais – e então o consumidor poderia escolher. Hoje em dia, o que os ricos escolhem é um carro privado – ou paga 200 meticais por um táxi. Se existisse um “chapa” condigno a 25 meticais, pelo menos eu usaria-o – e teríamos um veículo a menos nas nossas ruas, tão cheias e perigosas!

Seria uma pena sair em greve geral por causa da subida dos preços regulados, que têm que acontecer, se não hoje, então amanhã. Há muitas razões para reclamar do Governo, mas esta não é uma delas.

* Tom Bowker é um jornalista independente a trabalhar em Moçambique

 

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