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Incêndio consome cinema Charlot em Maputo

Um incêndio de grandes proporções consumiu no final da noite deste domingo (15), e durante a madrugada desta segunda-feira (16), o cinema Charlot na capital moçambicana. Não há registo de vítimas humanas. Os danos materiais são incalculáveis.

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Cerca das 23 horas os bombeiros de Maputo foram chamados por cidadãos que viram fumo sair de uma pequena loja adjacente à entrada principal do cinema.

Após alguma demora, apesar do Comando da Cidade de Maputo localizar-se a cerca de dois quarteirões do local, o primeiro carro dos bombeiros chegou e viu que as chamas estavam a alastrar-se rapidamente para o interior o cinema que há muito perdeu a sua tradição, a projecção de filmes.

Há cerca de uma década que deixou de ser normal assistir filmes no Charlot. Primeiro as películas em cartaz passaram a ser na sua maioria de origem indiana, e nem por isso arrastava a enorme comunidade para a sala, e depois a sala passou também a ser usada para o culto religioso.

Avaliando a situação como grave mais três viaturas dos bombeiros de Maputo juntaram-se ao combate das chamas, que já estavam altas e consumiam o interior do cinema. A dificuldade inicial foi o acesso a aquela que se acredita ser a fonte do fogo, a loja cujas portas estavam trancadas e com grades.

Com apenas a água dos camiões tanque a luta dos bombeiros estava perdida. O fogo chegou ao piso de cima do cinema, onde ao que tudo indica localizava-se a casa de projecção, e o pior aconteceu.

00h47 um grande explosão acontece e as chamas engolem todo edifício, de um local que já foi de passagem obrigatória nos momentos de lazer dos citadinos de Maputo.

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Entretanto uma equipa da Electricidade de Moçambique já havia chegado ao local e a energia eléctrica fora cortada para impedir novos curtos circuitos no local, e nos edifícios do quarteirão ao redor.

Um dos dramas maiores dos bombeiros do corpo de salvação pública era que as chamas estavam em zona altas do edifício e apenas um dos carros possuía mangueira com pressão suficiente para alcança-las. Foi solicitada ajuda aos bombeiros dos aeroportos de Maputo e prontamente um carro tanque chegou a avenida Eduardo Mondlane, esquina com a avenida Alberto Lithuli, onde nesta altura o tráfego automóvel já estava cortado.

Mas o problema de falta de fontes de abastecimento de água continua a dificultar o trabalho dos bombeiros. Quando as chamas eram atacada com canhões de água reduziam mas em seguida o tanque ficava vazia e quando o camião ia reabastecer as chamas voltavam a ganhar ímpeto. Faltaram também máscaras, oxigénio e até luvas apropriadas para que os soldados da paz atacassem onde o fogo lavrava com intensidade, no coração do cinema.

A determinada altura via-se pelo olhar, e ombros caídos, dos homens do corpo de salvação pública que vencer o fogo não era possível. A estratégia passou a ser conte-lo para que não se alastrasse as residências e a loja de vestuário existentes paredes meias ao cinema.

Nem mesmo a falta de meios mais eficazes desanimou os nossos bombeiros que como puderam lutaram com este incêndio até cerca das 6 horas desta segunda-feira. O Comando da Cidade de Maputo tem novos meios circulantes porém nem todos tem canhões de água – em caso de incêndios os carros da polícia anti-motim bem podiam ajudar pois os seus canhões de água já mostraram ser poderosos a reprimir manifestações pacíficas em Maputo.

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