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Ien Sary, ministro do Khmer Vermelho, morre impune no Camboja

Ieng Sary, que estava sendo julgado por crimes contra a humanidade cometidos no Camboja durante a época em que ele foi ministro de Relações Exteriores do regime comunista do Khmer Vermelho, morreu na quinta-feira, num hospital, segundo o tribunal.

A morte dele deve causar perplexidade entre as vítimas do Khmer Vermelho, temerosas de que os principais responsáveis pelo seu sofrimento consigam ficar impunes.

Estima-se que 1,7 milhão de cambojanos tenham morrido em campos de extermínio e em outras circunstâncias durante o regime maoísta liderado pelo também falecido ditador Pol Pot, entre 1975 e 79.

Com apoio da ONU, o Camboja criou um tribunal especial para julgar os responsáveis, mas até agora o único a ser condenado e preso foi um ex-diretor carcerário, relativamente de baixo escalão. O tribunal enfrenta problemas de financiamento e uma suposta interferência do governo cambojano.

Ieng Sary era um dos três dirigentes do Khmer Vermelho que estavam a ser julgados no segundo processo do tribunal. A corte anunciou em nota que o ex-chanceler, de 87 anos, estava hospitalizado desde o dia 4.

“Para as vítimas, essa morte estreita o escopo do julgamento e limita sua busca pela verdade e a justiça”, disse a advogada Elisabeth Simonneau Fort, que representa vítimas do Khmer Vermelho. “Podemos dizer que, pela morte, Ieng Sary escapa da Justiça.”

Os dois réus remanescentes são o ex-chefe de propaganda Nuon Chea e o ex-presidente Khieu Samphan. Nuon Chea tem sido intermitentemente hospitalizado nos últimos anos, e por isso muitos temem que só Khieu Samphan viva para receber um veredicto.

O processo contra Ien Thirith, viúva de Ieng Sary e ex-ministra de Assuntos Sociais do Khmer Vermelho, foi suspenso no ano passado, porque ela foi declarada mentalmente incapaz de ser submetida a julgamento.

Ieng Sary estudou em Paris com Pol Pot e ocupou cargos graduados, inclusive o de vice-primeiro ministro encarregado de Relações Internacionais, até a invasão vietnamita que derrubou o regime do Khmer Vermelho. Ele foi perdoado em 2007 pelo rei Norodom Sihanouk, mas acabou sendo preso pelo tribunal extraordinário, que o indiciou por genocídio, crimes contra a humanidade e violações da Convenção de Genebra.

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