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Idoso é expulso do hospital por não ter dinheiro

Idoso é expulso do hospital por não ter dinheiro

Ali Niwompwe, de 71 anos de idade, foi escorraçado, no passado dia 22 de Julho, do Hospital Central de Nampula (HCN), por um médico porque o idoso não tinha três mil meticais para beneficiar de cirurgia a uma hérnia testicular, por sinal gratuita, naquela que é a maior unidade sanitária da região norte do país.

O septuagenário contraiu a hérnia nos finais do ano de 2012. Passado um ano e seis meses, ele decidiu viajar até à cidade de Nampula para ser submetido a uma cirurgia, uma vez que a doença não lhe permite locomover- -se normalmente.

O idoso não se lembra com perfeição do médico que o recebeu e exigiu o pagamento do suborno no valor de três mil meticais. “Ele é moçambicano, alto e magro.

No primeiro encontro que tive com o indivíduo, já estava tudo preparado para que eu fosse operado, mas a cirurgia não aconteceu porque aquele cidadão alegou que a minha tensão estava alta. Porém, ele levou-me a um dos cantos da sala cirúrgica e perguntou se eu trazia dinheiro para comprar cigarros para os cirurgiões”, disse Niwompwe.

O paciente teve a sua primeira consulta no dia 03 de Março no HCN. Chegou por volta das 06h30 e foi uma das primeiras pessoas a fazer-se presente àquela unidade hospitalar.

No princípio, tudo parecia estar a correr bem. Mas, passado algum tempo, as coisas começaram a ficar cada vez mais tensas. Apesar de ter chegado cedo, só foi atendido às 15h00, tendo sido informado de que devia aguardar pela cirurgia em casa por mais três dias.

Volvido aquele período, Ali Niwompwe regressou ao hospital. O médico disse-lhe que deveria voltar dois dias depois, trazendo consigo os três mil meticais.

No dia 08 de Maio, o idoso fez-se presente ao HCN acompanhado da sua cunhada, tendo encontrado outro agente de Saúde, o qual marcou a cirurgia para o dia 22 daquele mês.

Chegado o esperado dia, Niwompwe dirigiu-se àquela unidade sanitária, e encontrou o médico que o atendeu quando chegou ao Hospital Central de Nampula. O ancião lembra-se de ter feitos alguns exames de urina, tendo-lhe sido prescritos alguns fármacos, além de lhe terem informado que devia regressar àquele local no dia 17 de Julho.

“No dia combinado, os médicos mandaram-me tirar toda a roupa e tive de vestir uma batina azul para entrar no bloco operatório. Eles administraram-me a anestesia e, volvido algum tempo, acordei. Percebi que não tinha sido operado”, contou.

O actor principal da peça de corrupção volta a entrar em acção. Ele levou o idoso até uma sala daquela unidade hospitalar. Chegado ao local, o médico perguntou ao ancião se havia trazido o “cigarro”.

“Primeiramente, perguntei quanto custava o tal cigarro e ele respondeu que eram três mil meticais. Num tom de brincadeira, eu questionei se existia no mercado algum tipo de cigarro por aquele preço”, disse Niwompwe, tendo acrescentado que “o médico afirmou que se eu quisesse ser operado tinha de arranjar o dinheiro”.

Aquele profissional de Saúde perguntou ao idoso se ele vinha acompanhado. O ancião respondeu que sim, e, por sua vez, o médico foi perguntar “a cunhada de Niwompwe se ela tinha algum valor para acelerar a cirurgia. A resposta foi negativa, facto que levou o indivíduo a pedir que o paciente fosse levado à casa e regressasse cinco dias depois.

No dia 22 do passado mês de Julho, o idoso dirigiu-se ao Hospital Central de Nampula. De seguida, ele foi ter com o médico para, posteriormente, ser submetido à cirurgia.

Ao invés de ser operado, o profissional de Saúde recolheu todos os documentos do idoso, inclusive os seus processos de saúde, e disse: “Leva todos os papéis, não quero ver nada que seja seu neste lugar. A sua operação será mediante o pagamento daquele cigarro que combinámos”.

HCN retribui a culpa ao funcionário corrupto

@Verdade procurou ouvir a posição da direcção daquela unidade sanitária, tendo ficado a saber que existem profissionais de Saúde com comportamento imoral e antiético.

Segundo Daniel Chilaule, chefe do departamento de Saúde Pública do Hospital Central de Nampula, “realmente existem indivíduos daquela área que se desviam e não obedecem às normas e deontologia profissional”.

Por outro lado, o nosso interlocutor não deu nenhuma esperança de possível resolução do problema, mas reconheceu que a cirurgia daquela doença naquele hospital é gratuita.

Mas, para fazer valer a sua posição, Chilaule acrescentou ainda que os serviços de cirurgias daquela enfermidade são feitos em vários distritos daquela província, como são os casos de Eratí, Ribáuè, Moma, Angoche, Nacala- -Porto e a chamada capital do norte.

A fonte salientou a necessidade de, em caso de existência de mais casos similares, os pacientes denunciem casos de extorsão junto à Direcção Provincial da Saúde de Nampula, com vista a responsabilizar e penalizar os mentores de actos de corrupção naquele sector.

Refira-se que não se sabe se Ali Niwompwe poderá passar o resto dos seus dias naquela condição ou então será submetido a uma cirurgia com vista a resolver o problema da hérnia testicular.

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