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Ibrahim Gani não reconhece seus supostos raptores

O empresário moçambicano, Ibrahim Gani, vítima de rapto, cujo caso está em julgamento, não reconhece nenhum dos quatro réus acusados de terem cometido o crime. Gani foi ouvido esta quinta-feira (29) pelo Tribunal Judicial da Província de Maputo.

Na ocasião, o empresário alegou não ter tido contacto visual com os raptores, pois durante o período de uma semana em que ficou no cativeiro os raptores não o permitiam que os olhasse.

“Não podia olhar para eles quando falavam comigo. O cativeiro era uma sala escura. E sempre que eles entravam eu tinha de olhar para a parede e baixar a cabeça,” narrou Gani.

Durante a audição, a vítima confirmou alguns factos que constam dos autos, como, por exemplo, ter recebido duas vezes a visita de um cidadão que se identificou por João, tal como é conhecido o réu Inácio Mirasse. A visita do suposto João tinha em vista o acerto de um negócio de venda de terreno no qual o empresário tinha interesse.

A primeira visita aconteceu um dia antes do rapto e a segunda no dia em que se consumou o crime. Gani confirmou ainda que foi na segunda vista que ele, na companhia do neto, saiu com João para ir reconhecer o referido terreno e chegado no local ficou a saber que, afinal, todo aquele enredo fazia parte de plano de rapto.

Nesse momento, Gani e o neto foram transportados por uma mini bus para o cativeiro com ele amarrado. A criança foi depois de 30 minutos levada a uma mesquita. Não sei quanto pagaram pelo resgate No desenrolar do depoimento, Gani afirmou não saber quanto é que a sua família terá pago pelo resgate, uma vez que, o assunto de rapto é proibido na sua casa desde que ele saiu do cativeiro.

“Ninguém me conta nada. Não se fala nesse assunto,” disse. Durante o período em que esteve nas mãos dos criminosos, Gani diz ter consumido apenas pão e um pacote de bolacha. Ele ignorava outro tipo de comida para não ferir a sua crença, uma vez que não sabia da proveniência da mesma. “Eu e o meu neto ficamos traumatizados. Quando saí do cativeiro, para mim, todos eram bandidos. O meu neto quando vê um mini bus diz que são bandidos”.

Na próxima audiência de julgamento deverá ser ouvido o irmão da vítima de nome Issufo Momad tido como negociador do resgate com os raptores. Espera-se entre outros aspectos que este venha revelar o valor pago para a libertação do seu familiar.

O julgamento do caso de rapto do empresário Gani começou no passado dia 20 do mês em curso e quatros indivíduos acusados de ser os protagonistas encontram-se no banco dos réus a responder pelo respectivo crime.

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