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Houve festival!!!

Houve festival!!!

E lá correu o festival.

Histórias de bastidores que envolveram o arranque do evento é que não faltaram; mas o que mais interessa é que o mesmo aconteceu e graças ao facto de a razão da motivação ser única exclusivamente a música.

Os nomes internacionais que constavam como cabeças de cartaz já agitavam os meios que não obstante os organizadores confirmarem a presença dos mesmos continuava a pairar uma dúvida no ar.

 

Dissiparam no dia “D” na conferência de imprensa quando se fizeram presentes Hugh Masekela, Jay Becknstein e Norman Brown. A partir deste momento tudo só poderia correr mal se os meios operativos e orgazicionais não estivessem todos alinhados.

E como veio a confirmarse, o alinhamento quer dos meios operativos quer das próprias bandas acabou por se desvendar deficiente. Estava ainda a audiência fria e sem sequer ter sido convidada a uma sessão preambular quando três horas depois da hora marcada do início, mais precisamente às 22h 00, cai do nada o Spyro Gyra.

Eles vinham dispostos a dar o melhor de sim; e como profissionais fizeram-no, não obstante as condições do equipamento e do som serem as menos desejadas. Despertaram os ouvidos daqueles que estava ali para testemunhar a presença deles em terras de Maputo, enquanto outro tantos se enfastiavam e se enfrascavam nos tais lugares VIP.

 

O som mal chegavam as almas já há muito sedentas de música mas nem isso fez com que o grupo liderado por Becknstein tomasse o público com respeito propondose a oferecer o mesmo com o melhor que eles tinham para dar; por isso não deixaram de passar por Morning Dance e Sea Biscuit, a meu ver dos momentos latos da sua performance. Ainda passaram por temas, creio que edições mais recentes, cujas sonoridades apresentavam texturas de várias influências desde flamengo, salsa, Rythym and Blues ao hip hop numa versão James Brown. O grupo de Becknestein saiu tão frio como entrou, não deixado contudo de cumprir com o que lhes era dever profissinonal.

 

No dia da descolagem do evento é preciso que se destaquem duas bandas, que são elas o Nondge e Zamajobe. A primeira, moçambicana, com elementos que fazem parte do nosso role de músicos destacáveis, caso do Jorge César, Carlos Gove; os rapazes aproveitaram o facto de o som já estar mais bem calibrado e então fizeram passar a o sinal do seu Fusion com audiência com alguma facilidade.

Embora esta banda tenha influências notórias no que concerne ao estilo musical, mas verdade seja dita que a definição duma linha musical que poderá fazer parte da identificação musical mais contemporânea por cá. Por outro lado, a banda do momento na África do sul, que parece ser os Zamajobe, trouxeram um ambiente rico em balanço e ritmo, estilo urbano que desperta qualquer um.

Todos os elementos merecedores de destaque. Aliás, todos, menos a líder vocal da banda e o baixista, fizeram o complemento do naipe de músicos que suportam o senhor dinossauro Hugh Masekela, no segundo dia do evento, sempre na companhia do outro não menos senhor Fana Zulu.

  Masekela é o senhor. Logo na introdução levou o público a assentarse, refrear-se soprando do seu trompete uma balada bem embaladora que reflectia experiência, vivência, mestria que lhe possibilitou sem grande esforço segurar a audiência para mais tarde fazer uso dela como bem entendesse. Chamou pela polícia, arrastou com o público como quis e para onde quis, de Maputo a Cabo delgado para depois vir eleger Xai- Xai como o local de sua origem. Ouviu-se o apito de chamamento de Stimela que levou a audiência ao rubro; fez ouvir-se o Afrobeat de Fela Kuti, revisitado na pista que galvenizou a nossa menina de ouro para outra paragens, através de Lady.

Foi um Masekela igual a si mesmo e que mais uma vez sempre que pisa por cá deixa corações confortados com a sua música e sonoridade do seu trompete. Bem, e já que se referiu o segundo dia fale-se, então do senhor que uma vez defraudou os entusiastas e que desta vez, sem dúvidas, veio para sanar todas as dívidas e dúvidas que poderiam ainda restar sobre os seu préstimos.

Norman Brown é um discípulo directo de George Benson, contudo Hendrix parece ser o sangue que corre nas veias; Wes Montgomery faz parte dos condimentos que ele põe na sua guitarra porque aquele é de facto o precursor do “double voicing” e da nova postura que o jazz ganhou para ambientes mais populares até se cair no Smooth Jazz.

Norman Brown deixou mesmo aqueles que não sabiam o que iam ouvir pasmados; ofereceu uma verdadeira celebração com o tema Celebrate, interpretou com exímia perfeição o tem popularizado por Luther Vanross, Any Lover; depois de fazer alusão específica a todos aqueles guitarristas que são como que os seus gurus passou por Marvin Gaye em What’s Going On, para depois arrebatar a audiência com Janet Jackson para reafirmar que a comunhão do amor é assim e que as pazes estavam feitas. That’s The Way Love Goes.

As coisas tinham corrido mal no primeiro dia mas o segundo foi que um bálsamo cheio de música que tranquilizou tudo e todos. Neste segundo dia, embora poucos tenham dado importância, passou no início da tarde um dos guitarristas mais sofisticados o que o nosso país tem, o Jorge Domingos, que com a sua banda constituída por três elementos mostrou que não se precisas de estar além fronteiras para forma projectos musicais ambiciosos, com música de qualidade aliada a realização de boa perfomance.

Porque o espaço é pouco para trazer tudo de musical que se passou no recinto dos continuadores, se calhar tirar algumas ilações deste festival:

O conceito festival de Jazz é abrangente e não é o que interessa ser discutido neste momento, por isso é de dar os parabéns para todos aqueles que se esforçaram na realização do evento;

Este é o tipo de eventos que dá oportunidade aos artistas nacionais de se exporem e aproveitar para mostrar o seu valor, contudo é preciso que o critério de escolha dos artistas seja revisto para que os artistas moçambicanos possam interagir com os estrangeiros no contexto equilibrado;

Quanto ao festival em sim, os parceiros deverão, caso haja interesse em perpetuar o mesmo começar a elaboração dum plano de operacionalidade que seja funcional e mas do que tudo procurar envolver todos os demais parceiros.

O festival dever ser uma forma de educação de a comunidade deve dispor.

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