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Hormônio de crescimento aumenta velocidade, mas não torna o atleta mais forte

Um atleta que toma o hormônio do crescimento pode melhorar a sua capacidade de sprint em 4 ou 5% e passar assim do último para o primeiro lugar de uma competição olímpica, mas não aumenta a sua força, explicaram nesta terça-feira pesquisadores australianos.

A pesquisa financiada pela Agência Mundial Antidoping (AMA) demonstra que a utilização desta substância proibida pode permitir aos velocistas correr mais rápido, mas não aumenta a potência, a força e a resistência. “Um aumento de 4% em 10 segundos corresponde a 4 décimos, o que significa um lapso de tempo gigantesco”, em velocidade, declarou à AFP o professor Ken Ho, diretor de pesquisas do Garvan Institute of Medical Research, em Sydney.

Especialistas atribuem ao hormônio do crescimento o poder de aumentar a massa muscular e a força. Acredita-se que seu uso no esporte seja frequente. Mas ainda é difícil detectá-lo nos exames antidoping e apenas um atleta, o jogador de rúgbi inglês Terry Newton, foi flagrado e punido com dois anos de suspensão, em fevereiro. Embora possa ter efeitos interessantes para o sprint, não permitiria melhorar os desempenhos em todas as modalidades, segundo o professor Ho.

“Não acho que ajude um remador ou um levantador de peso. Mas poderia ajudar um velocista”, ressaltou o endocrinologista. Para realizar este estudo, os pesquisadores analisaram amostras de 103 atletas amadores, de idades compreendidas entre 18 e 40 anos, durante oito semanas. Alguns receberam injeções diárias de hormônios do crescimento, outros de placebo e um terceiro grupo recebeu hormônio do crescimento junto com testosterona.

Os resultados publicados no “Annals of Internal Medicine” mostram para o primeiro grupo uma melhora de 4 a 5% em sua capacidade de sprint, e uma melhora de 8% para aqueles que receberam os dois hormônios. Os atletas amadores que receberam simplesmente o hormônio do crescimento não apresentavam aumento de massa muscular, mas sofriam com inflamações e dores articulares.

Para este estudo, os voluntários tomaram doses bem inferiores às recebidas por atletas de alto nível e em um curto período de tempo. “Podemos pensar com isso que os efeitos destas substâncias nos desempenhos poderão ser superiores ao que este estudo mostrou e que seus efeitos colaterais poderão ser mais severos”,considerou o professor Ho.

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