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Honrar Mwanawasa

No passado dia 30 de Outubro realizaram- se eleições presidenciais na Zâmbia com vista a encontrar o sucessor do falecido Presidente Levy Mwanawasa. Mais do que umas eleições normais, este acto eleitoral esteve repleto de simbolismo. Substituir Mwanawasa não será fácil, não só pelos desafi os que o país enfrenta, mas, sobretudo, pelo exemplo que ele deixou. Mwanawasa foi eleito Presidente sucedendo à grande desilusão que foi Frederik Chiluba.

Após anos de regime autoritário, o povo zambiano viu em Chiluba, um antigo líder sindical, a esperança num poder político responsável e preocupado com o bem-estar da população. Porém, Chiluba rapidamente esqueceu as suas origens, e as suas promessas, e enveredou por uma vida de luxos e de gastos exorbitantes, ao mesmo tempo que promovia o favorecimento político e económico dos seus aliados. A candidatura presidencial de Levy Mwanawasa baseou-se em promessas de uma maior moralização da vida pública zambiana. Embora estas fossem promessas já “vendidas” à população, a verdade é que os eleitores acabaram por dar o benefício da dúvida e Mwanawasa venceu as eleições presidenciais de 2001. Pouco a pouco, foram dados passos concretos com vista à moralização da política, ao mesmo tempo que foram adoptadas diversas medidas destinadas a combater a corrupção no país. Várias investigações foram iniciadas, destinadas a escrutinar os desvios de fundos cometidos durante a era Chiluba.

Para além de fi guras próximas do anterior Presidente, o próprio Chiluba viu-se acusado de má utilização de fundos públicos. Também na cena internacional Mwanawasa deixou a sua marca, especialmente no contexto da África Austral. Perante uma União Africana silenciosa face às irregularidades eleitorais cometidas por Robert Mugabe, o Presidente zambiano foi dos poucos, juntamente com o Botswana e Quénia, a criticar abertamente o Presidente zimbabweano. Pouco antes de sofrer o acidente cardiovascular que motivou a sua morte, Mwanawasa viajou para Sharm el-Sheikh, a fi m de estar presente na Cimeira da União Africana onde pretendia criticar novamente Mugabe pela sua obstinação em não respeitar a vontade do seu povo. Perante tudo isto, o novo Presidente zambiano deverá saber respeitar, honrar e continuar o caminho iniciado por Mwanawasa, credibilizando a imagem externa do país. Veremos se consegue.

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