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Heliporto do Banco de Moçambique reprovado pelo IACM; povo já não terá acesso ao silo de automóveis

Heliporto do Banco de Moçambique reprovado pelo IACM; povo já não terá acesso ao silo de automóveis

O heliporto construído no milionário edifício do Banco de Moçambique não foi aprovado pelo Instituto da Aviação Civil de Moçambique (IACM). O @Verdade apurou também que o povo já não terá acesso ao silo de automóveis que o banco central está a construir em parceira como Conselho Municipal da Cidade de Maputo.

Muito secretismo e pouca transparência existe em torno da construção da nova sede do Banco de Moçambique (BM). Quando em finais de 2011 foi lançado o concurso público para a sua edificação constava do caderno de encargos a demolição da antiga Casa Coimbra e a construção de dois edifícios, um destinado a escritórios do banco e o outro com funcionalidade mista, um silo automóvel, escritórios, áreas comerciais, restaurantes, bar panorâmico e sala de conferências, este último numa área onde funcionava a Brithol Michcoma e um parque de estacionamento.

Oficialmente o BM nunca revelou o custo das obras, todavia a construtora que ganhou o concurso público declarou formalmente que a empreitada estava orçada em 2.203.949.912,52 meticais, cerca de 73,4 milhões de dólares norte-americanos ao câmbio da altura.

Passado mais do que o dobro do prazo inicialmente estabelecido, que foi previsto em 29 meses, e à medida que o milionário arranha céus vai ganhando forma descobriu-se que foi também edificado um espaço para a acomodação de um helicóptero cujo custo não é público, não se sabe se está incluído no orçamento inicial ou foi uma extravagância da antiga administração liderada por Ernesto Gove.

O que é certo é que no topo do silo automóvel, que inicialmente estava projectado para 19 andares mas o @Verdade apurou ter 20 andares, o heliporto foi construído, porém a aterragem de helicópteros foi reprovada pelo Instituto da Aviação Civil de Moçambique.

“Sim não está certificado, por problemas de segurança” confirmou o presidente do Conselho de Administração do IACM, João de Abreu Martins, em entrevista telefónica ao @Verdade.

O @Verdade questionou formalmente ao banco central qual é a necessidade que o Banco de Moçambique tem de possuir um heliporto, se por ventura a instituição possui um helicóptero, mas uma semana após o contacto o BM não respondeu.

Silo automóvel que é parceria com Município já não terá lugares para o povo

Foto de Adérito CaldeiraUm outro enigma que o @Verdade procurou o esclarecimento do Banco de Moçambique é o custo da nova sede, é que contrariamente ao concurso público inicial que previa apenas a construção de dois edifícios na Cidade de Maputo foram edificados quatro edifícios. Sabe-se ainda grande parte dos materiais de construção em uso nas obras são importados, portanto custam divisas ao erário.

Até ao fecho desta edição o BM não respondeu às questões formalmente apresentadas. Todavia o @Verdade apurou, através de várias fontes concordantes, que o custo inicial 73,4 milhões de dólares mais do que quadruplicou, ultrapassando mais de 315 milhões de dólares norte-americanos, e ainda assim a nova sede não tem data para ser inaugurada.

Ironicamente o Tribunal Administrativo apurou no Relatório sobre a Conta Geral do Estado que o banco central contraiu no exterior uma dívida de 150 milhões de dólares norte-americanos cuja finalidade é desconhecida.

Ademais a megalomania do banco central obrigou ainda a Electricidade de Moçambique a construir uma nova linha de transporte de energia, assim como uma subestação, para a alimentação eléctrica da nova sede que tem um consumo estimado de pelo menos 6 megawatts, consumo idêntico ao de um município de categoria B.

Aliás o silo automóvel que está a ser edificado na nova sede do BM é uma parceria com o Conselho Municipal da Cidade de Maputo (CMCM) e nesse âmbito alguns dos mais de mil lugares de estacionamento seriam abertos aos munícipes que pudessem pagar o seu acesso. Entretanto o @Verdade apurou que o Banco de Moçambique decidiu que esses lugares de estacionamento já não serão partilhados com o povo.

“Houve um pedido por parte do Banco de Moçambique, por razões de segurança, ainda estamos em discussão” explicou João Munguambe, o Vereador de Actividades Económicas do CMCM.

“Se entrarem para o parque todos os carros dos trabalhadores do banco libertam estacionamento para os munícipes”, argumentou ainda Munguambe em contacto telefónico com o @Verdade.

O @Verdade contactou formalmente o BM para clarificar todas estas questões mas após cerca de uma semana de espera a instituição agora dirigida por Rogério Zandamela não se dignou a responder.

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