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Hashim Thaçi é eleito novo presidente do Kosovo pelo parlamento

O parlamento do Kosovo elegeu nesta sexta-feira por maioria simples o ex-líder guerrilheiro e actual ministro das Relações Exteriores, Hashim Thaçi, como novo presidente do país, entre os protestos da oposição nas ruas de Pristina. Thaçi recebeu 71 votos na terceira votação no parlamento, com o que alcançou a maioria simples para conseguir o posto, enquanto a oposição boicotou a sessão.

Durante a sua eleição, grupos de manifestantes, membros da oposição ultranacionalista, lançaram objectos incendiários e gás lacrimoso contra polícias posicionados em frente ao edifício do parlamento.

Thaçi declarou ao ser eleito que estará “a serviço de todos os cidadãos para edificar um Kosovo novo, um Kosovo europeu”. Também prometeu que trabalhará intensamente para “institucionalizar o diálogo político, como uma condição importante para um futuro de estabilidade”.

O novo presidente jurará o cargo no próximo dia 7 de Abril, data em que expira o mandato da actual chefe do Estado, Atifete Jahjaga.

Nas duas rondas anteriores de votação realizadas no parlamento, Thaçi não conseguiu somar o apoio necessário de dois terços dos deputados. Segundo as leis kosovares, o presidente deve ser eleito por dois terços do total de 120 deputados em primeiro ou segundo turno e, se não conseguir, basta a maioria simples numa terceira ronda.

Após a eleição do novo presidente, os eleitores do seu partido, o KDP, festejaram com fogos de artifício e bandas de música no centro de Pristina, no mesmo local onde pouco antes os agentes antidistúrbios dispersaram os manifestantes com canhões de água e gás lacrimogéneo.

Os opositores asseguraram que, apesar da votação, não considerarão Thaçi como presidente e que criarão novas formas de protesto. Várias horas antes, no parlamento, deputados da oposição tentaram impedir a eleição de Thaçi ao lançar gás lacrimogéneo durante a sessão parlamentar prévia à votação.

A oposição está a obstruir há alguns meses o trabalho do parlamento com o lançamento de gás lacrimogéneo para impedir o desenvolvimento das sessões. Os opositores consideram que a eleição de Thaçi só aprofundará a actual crise política no Kosovo e exigem a renúncia do governo por ter pactuado com a Sérvia um acordo que outorga mais competências à minoria sérvia no Kosovo e também protestam contra uma demarcação fronteiriça com Montenegro que acreditam ter reduzido o território kosovar.

Com 1,8 milhão de habitantes e povoado por uma maioria de albaneses étnicos, o Kosovo proclamou em 2008 sua independência da Sérvia, não reconhecida por Belgrado, e é um dos países mais pobres da Europa.

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