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Há vinte anos Giggs estreava-se pelo United

Há vinte anos Giggs estreava-se pelo United

A esperança era de comemorar os 20 anos de carreira profissional com vitória. Mas, na terça-feira, a 863ª partida de Ryan Giggs pelo Manchester United não terminou da forma que o galês gostaria. Ao atrapalhar as pretensões do rival na disputa pelo título inglês, o Chelsea também não deu ao jogador o gostinho de comemorar em dobro e ainda repetiu o que o Everton já havia conseguido há exatas duas décadas. No dia 2 de março de 1991, o clube de Liverpool venceu os Diabos Vermelhos em partida que ficaria marcada pela estreia do promissor atacante de 17 anos.

Curiosamente, as duas datas tão importantes para Giggs vieram com derrotas, algo que nem de longe ameaça manchar a sua brilhante carreira. Quem garante é outro gênio do desporto, José Mourinho. “A prova está nas medalhas que eles conquistou”, comentou o técnico em homenagem ao jogador de hoje 37 anos. Os troféus — 11 da Premier League, oito de copas nacionais e dois da Liga dos Campeões da UEFA —, aliás, estabeleceram o galês como o jogador mais vitorioso da história do futebol inglês.

Enquanto Alex Ferguson o descreveu como o maior jogador da era da Premier League, os adeptos do Manchester United fizeram uma homenagem ainda maior ao elegê-lo o atleta mais importante da história do clube. Tipicamente modesto, Giggs disse que não esperava superar ídolos como George Best e Bobby Charlton. Porém, fora ele, pouca gente ficou surpresa.

A longevidade ajudou Giggs a bater craques como Best, Eric Cantona e Cristiano Ronaldo, que brilharam por bem menos tempo em Old Trafford. Cantona, aliás, declara ser um grande fã do galês. “Temos personalidades muito diferentes”, refletiu o ex-craque francês. “Eu, quando faço algo, apaixono-me muito rapidamente. Felizmente tenho muitas paixões, e por isso é fácil passar de uma para outra, mas admiro as pessoas como o Ryan, porque ele ainda joga com paixão. Acho admirável porque é algo muito diferente da minha personalidade.”

A opção por Gales

O italiano Paolo Maldini, outro exemplo de profissional que brilhou durante duas décadas em um grande clube, talvez seja o único outro jogador do futebol moderno cujas conquistas possam ser comparadas às de Ryan Giggs. Mas há uma diferença fundamental: enquanto o ex-milanista participou quatro vezes da Copa do Mundo da FIFA, Giggs vai aposentar-se sem nunca ter pisado nos relvados da maior competição do futebol mundial.

O jogador nascido em Cardiff poderia ter escolhido defender a Inglaterra e chegou a ser convidado pelo ex-técnico Bryan Robson, um ídolo pessoal dele. Mesmo assim, decidiu jogar por Gales. “Ele tem orgulho de ser galês, como eu também tenho”, afirmou Clayton Blackmore, que atuou junto com Giggs no Manchester e pela seleção nacional. “Mas, se ele tivesse jogado pela Inglaterra durante os sete ou oito anos em que esteve no auge, talvez pudesse ter sido o melhor jogador do mundo.”

O próprio Giggs afirma não ter arrependimentos. “O Campeonato do Mundo é especial, é a minha primeira lembrança do futebol quando menino”, admitiu certa vez “mas não posso reclamar. Tive uma boa carreira, e não a trocaria pela de ninguém.” Ele tem razão. Ao longo dos anos, Giggs passou a ser mais do que um ponta veloz e explosivo e transformou-se num médio astuto e inteligente, mantendo o mesmo sucesso em ambas posições.

Mesmo com a derrota frente ao Chelsea, ele fez história ao igualar o recorde de Bobby Charlton, que disputou 606 jogos do Campeonato Inglês pelo Manchester United. Em 21 de maio de 2008, no dia em que conquistou a Liga dos Campeões pela segunda vez, o galês já havia batido o recorde de 758 partidas por todas as competições, que também pertencia a Charlton.

Saúde e fome de bola

Entre os motivos para o sucesso prolongado do médio estão a distância do álcool, do chocolate e de alimentos pouco saudáveis, além da prática de ioga duas vezes por semana e de consultas frequentes com um osteopata e um acupunturista. Além disso, a fome de bola e o ódio às derrotas têm importância especial, como explicou o próprio Giggs na semana finda.

“No ano passado, por exemplo, quando o Chelsea ganhou o Campeonato Inglês e a Copa da Inglaterra, fiquei irritado”, descreveu o médio do Manchester United. “Não quero sentir-me assim. Quero sentir-me como no ano anterior, quando ganhamos o título da liga. Penso naqueles momentos tanto quanto penso nas coisas que ganhei. Provavelmente até mais.”

Felizmente, Giggs precisou passar pouco tempo remoendo as decepções. Quando se aposentar (o que, com um novo contrato assinado, não deverá acontecer tão cedo), ele terá sido o jogador mais vitorioso da história de Old Trafford e da Inglaterra. Para colocar em perspectiva a “era Giggs”, é preciso observar o contexto em que ele se estreou há duas décadas.

Em março de 1991, a derrota por 2 a 0 para o Everton não foi considerada um resultado incomum para os diabos vermelhos, que não venciam havia sete jogos e não conquistavam o Campeonato Inglês desde 1967. Atualmente, imaginar o esquadrão comandado por Alex Ferguson passando por um jejum como aquele chega a ser absurdo.

Giggs não vai querer levar os louros por toda a transformação, mas sua habilidade e regularidade ajudaram a consolidar o Manchester United como a maior força do futebol inglês e asseguraram a sua reputação como um dos grandes jogadores da história do futebol.

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