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Gurue em crescimento

Guruè, que o presidente moçambicano, Armando Guebuza, também considera de “Terra da Revolução Verde”, regista níveis de desenvolvimento astronómicos a julgar pelos resultados do seu desempenho referentes ao quinquénio 2004-2008, apresentados, hoje, pelo administrador Fernando Namucua.

Localizado a cerca de 350 quilómetros norte de Quelimane, capital da Província da Zambézia, Centro de Moçambique, Guruè ocupa uma área de 5.688 quilómetros quadrados, tendo como principal actividade a agricultura, sobretudo a produção de chá, milho e batata. O chá também é uma das principais fontes de divisas em Moçambique.

Falando durante a Sessão Extraordinária do Governo Distrital alargada aos membros do Conselho Distrital, orientada pelo estadista Moçambicano, Namucua disse que Guruè registou uma produção global de 1,12 biliões de meticais em 2004 (um dólar equivale a cerca de 26,5 meticais), tendo evoluído para 2,65 biliões de meticais em 2008, o que representa um crescimento na ordem de 136,5 por cento.

Estes dados contrastam com as estatísticas de crescimento global, para a Zambézia, apresentados na quarta-feira, pelo governador desta província, Carvalho Muària, durante uma durante sessão Extraordinária do Governo Provincial alargada aos administradores distritais, presidentes dos Conselhos Municipais e outros Quadros. Segundo o governador, “a província registou uma produção global de 12,51 milhões de contos em 2006, 14,40 milhões de contos em 2007 e 16,27 milhões de contos em 2008, o que representa um crescimento médio de 9,8 por cento”.

Na ocasião, Muària explicou que “os sectores que mais contribuíram para este crescimento foram a agricultura, em 70 por cento, seguido da indústria e pescas, ambos com 25 por cento e os restante sectores em cinco por cento”.

Contudo, para confirmar os seus dados, Namucua explicou que em 2004, as receitas próprias e o Imposto de Reconstrução Nacional foram de 288,39 milhões de meticais, tendo passado para 644,84 milhões de meticais em 2008, o que representa um crescimento de 223,6 por cento. Para o efeito, explicou o administrador, contribuiu significativamente o sector agrícola, que registou um incremento na área de cultivo de 31.591 hectares em 2004, para 56.814 hectares em 2008, um crescimento de 80 por cento.

A área de comercialização agrícola revela uma tendência similar, tendo sido comercializadas 80.120 toneladas em 2008, contra 37.461 toneladas em 2004. Paralelamente, a produção subiu de 112.874 toneladas, para 164.730 toneladas, que se traduz num incremento de 47 por cento. Por seu turno, a rede industrial, composta por 26 unidades em 2004, disparou para 127 em 2008, entre as quais se destacam 93 moageiras e carpintarias.

A rede escolar também regista resultados muito animadores, com o número de escolas a subir de 133 em 2004, para 183, em 2008. Este incremento, que se regista na rede escolar inclui a construção de um Instituto Médio Agro-pecuário. Abordando a questão do Fundo de Investimento de Iniciativas Locais (FIIL), o administrador disse que “os primeiros três anos foram, essencialmente, de estabelecimento e consolidação de mecanismos de sua implementação”.

Por isso, explicou Namucua, em 2006, a maioria dos recursos foi aplicada na área de infra-estruturas sociais, enquanto nos anos subsequentes foi reorientado para investimento nas áreas de produção de comida e geração de rendimentos.

Com relação à área de investimentos, com base em recursos do FIIL, destaca-se no informe do administrador a aprovação e financiamento de 12 projectos em 2006 e 39 em 2008, para a aquisição de um tractor e duas alfaias, 10 motobombas e respectiva tubagem, para o aproveitamento de pequenos sistemas de irrigação, bem como para a aquisição de insumos diversos, incluindo sementes e fertilizantes.

Na componente de industria de pequena escala, foram financiados desde o inicio da implementação do FIIL 33 projectos, dentre os quais 14 moageiras com uma capacidade unitária instalada de 200 quilos por hora. Também foram instaladas três unidades semi-industriais para o processamento da madeira e dois na área de turismo. Como resultado, foram criados 1.278 novos postos de trabalho, 619 permanentes e os restantes sazonais.

Contudo, Namucua manifestou a sua preocupação com o “baixo nível de reembolso dos fundos pelos mutuários, o que não tem permitido desenvolver a dinâmica desejada na reorientação dos recursos para maior abrangência”. O administrador não deixou de louvar, também, a contribuição do Fundo de Estradas e o Fundo de Infra-estruturas que permitiram a melhoria da transitabilidade e, em alguns casos, o restabelecimento efectivo da ligação entre a sede do distrito e algumas localidades.

A Revolução Verde também parece ser uma realidade neste distrito e, para o efeito, as autoridades locais tencionam rentabilizar os cursos de água existentes através da abertura de sistemas de irrigação a escala familiar e fornecimento de pequenas motobombas aos produtores. O programa inclui, ainda, a formação de produtores e associações agropecuárias em planos de negócios como forma de permitir uma gestão e rentabilização dos poucos recursos disponibilizados.

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