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Governo está a replanificar os ‘sete milhões’

O Presidente moçambicano, Armando Guebuza, disse, esta Terça-feira, em Mueda, província de Cabo Delgado, que o Governo está a trabalhar no sentido de “acertar” o calendário dos reembolsos do fundo dos “Sete Milhões”.

“Sete Milhões” é o fundo de cerca de 210 mil dólares e que é canalizado a cada um dos 128 distritos do país para financiar projectos de geração de alimentos e emprego. Esta iniciativa está sendo implementada há cerca de dois anos, mas os níveis de reembolso dos créditos continuam muito baixos. Em Cabo Delgado, por exemplo, a taxa de reembolso dos cerca de 484,6 milhões meticais atribuídos aos distritos até ao ano passado, é de 5,2 por cento.

Falando em conferência de imprensa que marcou o fim da Presidência Aberta na província de Cabo Delgado, Guebuza deu a entender que o actual calendário está errado, porque, as vezes, os mutuários são obrigados a começar a reembolsar o fundo enquanto os seus projectos ainda não começaram a dar resultados. Um dos sectores onde isso é mais evidente é o da agricultura.

Se um mutuário pede fundo para um projecto de agricultura, as vezes é obrigado a começar a reembolsar o crédito numa altura em que a sua iniciativa ainda não está a dar resultados. Assim, o Governo pretende encontrar um programa de reembolso elaborado em função da altura em que os mutuários começam a ter resultados das suas iniciativas.

“Os nossos planificadores, estão a trabalhar para saber como acertar os programas dos reembolsos”, disse o estadista moçambicano, falando a diversos jornalistas que desde Sábado passado garantiram a cobertura da sua visita a província de Cabo Delgado. Ainda na sua abordagem sobre este fundo, o Chefe do Estado referiu que a análise dos “Sete Milhões” não pode se restringir nos reembolsos, mas também no impacto que o dinheiro está a ter na mudança de atitude dos beneficiários, ao assumir que eles próprios podem produzir e participar na luta contra a pobreza.

Ainda nesta conferência de imprensa, o Presidente da República referiu-se a questão da pobreza absoluta, assunto que também dominou o comício orientado Sábado passado na cidade de Pemba. Guebuza terá abordado a questão de pobreza urbana em Tete e Maputo e tencionava perceber como a mesma se reflecte em Pemba, sobretudo na camada da juventude, o grupo mais vulnerável a essa realidade.

Ele disse ter notado, principalmente em Maputo, que os próprios jovens, integrados em diferentes associações, têm estratégias de combate a pobreza urbana, precisando apenas de apoio para materializar as suas ideias. Guebuza entende que há duas formas de ultrapassar esse problema. Uma delas é o emprego, tanto o auto-emprego como o de trabalhar num determinado patrão.

A outra é a questão de formação. “Nós (o Governo) estamos a desenhar uma estratégia com base nessas preocupações dos jovens”, disse ele. Em relação aos casos de tribalismo despoletadas no comício realizado em Pemba, Guebuza admitiu que pode haver casos isolados dessas atitudes (de tribalismo), “mas não se pode exagerar (generalizar)”. Aliás, o que foi denunciado foi um caso de tribalismo de uma pessoa para as outras, não ao nível institucional. 

”Onde há tribalismo deve ser denunciado”, disse Guebuza, sublinhando que “O Governo moçambicano é pela Unidade Nacional, do Rovuma ao Maputo e do Zumbo ao Indico, e nós vamos tomar medidas no sentido de desencorajar este tipo de atitudes”. Questionado pela AIM, a que tipo de medidas se refere, Guebuza respondeu que “mobilização… mobilização… mas já agora, que tipo de medidas nos sugeres?”.

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