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Governo diz que refugiados no Malawi, que já passam dos seis mil, fugiram da seca e da crise política em Moçambique

Mais de seis mil moçambicanos estão refugiados no Malawi devido à crise política e a seca que afecta alguns pontos de Moçambique, anunciou nesta terça-feira(17) a porta-voz do Governo, Ana Comoana. Entretanto o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) no Malawi refutou as acusações do ministro moçambicano dos Negócios Estrangeiros e Cooperação Odemiro Baloi, que a acusou de estar a mobilizar os refugiados naquele país para não regressarem a Moçambique.

“Apurou-se que as causas fundamentais destas migrações estão relacionadas a factores de ordem natural e social, nomeadamente a questão da seca e a tensão política”, disse Ana Comoana, momentos após mais uma reunião de Conselho de Ministros em Maputo.

Ana Comoana sublinhou que o Governo moçambicano está a promover assistência básica dos cidadãos refugiados no Malawi, ao mesmo tempo que decorrem ações para garantir condições de segurança suficientes para o seu regresso.

“Nós continuaremos a envidar esforços para garantir condições básicas para estes cidadãos regressarem às suas zonas de origem”, afirmou, reiterando que a vontade do Governo é de “ver todos moçambicanos refugiados no Malaui de volta”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, Oldemiro Baloi, realizou na semana passada uma visita de trabalho de três dias ao Malawi, tendo visitado um campo de deslocados moçambicanos para saber da situação dos moçambicanos na região.

Nos últimos meses, Moçambique tem conhecido um agravamento da violência política, com relatos de confrontos entre o braço militar da Renamo e as forças de defesa e segurança, além de acusações mútuas de raptos e assassínios de militantes dos dois lados.

Acnur defende regresso de refugiados em segurança

Entretanto, em declarações à Voz da América a partir do Malawi, Monique Ekolo, representante do ACNUR, defendeu junto das autoridades moçambicanas que que o regresso deve acontecer quando houver condições para os refugiados viverem nas suas aldeias e vilas.

“O regresso dos refugiados a Moçambique é um processo livre, mas eles disseram-nos que fogem aos conflitos, as suas casas foram queimadas e têm muito temor de regressar às suas vilas, e dissemos ao ministro dos Negócios Estrangeiros que eles devem regressar quando a situação for propícia”, explicou.

Ekolo reiterou não ter defendido que os refugiados fiquem indefinidamente no Malawi, mas que devem regressar quando houver condições em Moçambique.

“Quando não houver raptos, quando as forças deixarem de lutar, quando não houver insegurança, quando as pessoas deixarem de ser assassinadas, quando, em resumo, houver condições para as pessoas viverem”, o ACNUR defende o seu regresso porque “casa é casa”.

A representante do ACNUR no Malawi confirmou a existência de mais de seis mil refugiados moçambicanos e não apenas 5.600 como referiu o Governo de Maputo.

“Infelizmente temos cerca de seis mil deles em lugares congestionados, temos de esperar por mais terra, por mais espaço, o que não está a acontecer, há pressões sobre o Governo do Malawi para não fazer, mas esse não é nosso problema”, lamentou aquela responsável.

Monique Ekolo reitera, no entanto, que o Malawi fez o seu papel ao atribuir o asilo aos refugiados moçambicanos, num acto de amizade, e vai garantindo a sua subsistência com a ajuda da comunidade internacional.

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