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Governo colombiano e Farc trocam farpas antes de retomar diálogo

O governo colombiano e a guerrilha Farc trocaram declarações duras, Quarta-feira (30), depois de o grupo rebelde anunciar que continuará a sequestrar militares e policiais, e um dia antes da retomada das negociações de paz entre as duas partes em Cuba.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) voltaram a propor uma trégua durante as negociações, mas o negociador do governo, Humberto de la Calle, reiterou a posição de Bogotá de não aceitar um cessar-fogo temporário nem a assinatura de acordos parciais para regulamentar o conflito.

“Equivocam-se radicalmente se acham que com acções desse tipo vão obrigar o governo a um cessar-fogo bilateral. Isso só ocorrerá se for assinado um acordo final de paz”, disse De la Calle a jornalistas antes de viajar para Cuba.

“Vamos a Havana para terminar o conflito, que é o que pactuamos, e se não for assim que nos digam de uma vez por todas, para não fazerem o governo nem os colombianos perderem tempo”, disse De la Calle, um ex-vice-presidente da República.

A forte reacção ocorreu depois de as Farc anunciarem que não vão abrir mão dos sequestros, o que os analistas interpretaram como uma forma de pressão da guerrilha sobre o governo.

No fim de semana, as Farc capturaram dois policiais numa zona montanhosa do noroeste colombiano, na primeira acção desse tipo desde o início do processo de paz.

“Reservamo-nos ao direito de capturar como prisioneiros os membros da força pública que se renderam em combate. Eles chamam-se prisioneiros de guerra, e esse fenómeno dá-se em qualquer conflito que haja no mundo”, disse as Farc em nota divulgada na noite da Terça-feira em Havana.

A 20 de Novembro, quando o processo de paz foi lançado, as Farc declararam uma trégua unilateral de dois meses. Ao final do prazo, semana passada, o grupo voltou a cometer ataques contra a infraestrutura colombiana e contra os militares.

Durante a fase da trégua unilateral, o governo manteve as suas operações militares contra a guerrilha, incluindo bombardeios que resultaram na morte de pelo menos 34 combatentes rebeldes.

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