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Gabriel Chiau: A voz e o metal

Gabriel Chiau: A voz e o metal

Foi homenageado durante a inauguração do V Festival Internacional de Música, que decorre em Maputo desde o passado dia 18 do corrente mês, prolongando-se até próxima quarta-feira (29 de abril). Será – o reconhecimento – com certeza, um tributo por tudo aquilo que este homem residente num dos subúrbios mais populares de Maputo (Chamanculo) fez, e pela presença de trabalho que ainda caracteriza a sua vida. É um personagem dele mesmo e que está permanentemente a esquecer-se da sua idade (70 anos) porque, segundo o próprio, o artista não tem idade.

Depois de ter sido chamado para o palco e tocado alguns números, neste festival que traz nomes importantes da música internacional e interpretado alguns temas com a alma dos tempos, Gabriel Chiau recolheu para o lugar mais sagrado da sua existência, que é o bairro do Chamanculo, onde está localizada a sua casa. E nós o perseguimos dois dias depois.

Há sempre uma pergunta que – mesmo parecendo redundante e por isso gasta – é inevitável fazer a alguém que acaba de ser galardoado: como é que se sente? “Sinto-me feliz, sobretudo por ter tido esta sorte de ser reconhecido ainda em vida. Infelizmente, muitos dos meus compatriotas são homenageados quando já não fazem parte do mundo dos vivos”.

Gabriel Chiau não será propriamente um músico das massas, no sentido de arrastar multidões para os grandes palcos. Mas aqueles que acompanham a trajectória dos tempos em que desfilavam bandas como Os Monstros, João Domingos, Djambu 70, músicos como Fany Mpfumo, não podem falar desse tempo sem evocar o nome de Gabriel Chiau.

Aliás, ele próprio reconhece que é mais um músico para ambientes restritos, onde combina a sua voz e o trompete: duas armas fundamentais para um maronga típico que vive, até hoje, no sossego do seu enorme e artístico quintal no bairro do Chamanculo.

É um músico de classe, que já na altura se deixava fascinar por essa lua que se chama Louis Armstrong. O próprio Chiau sempre disse: igual a Louis Armstrong, só Louis Armstrong. E o facto de tocar trompete tem a ver com essa influência do autor de What a Wonderful World. Fundou o célebre conjunto Kwekweti, que contava ainda com um grupo de dançarinos.

Porém, como muitos artistas do nosso país, Gabriel Chiau surgiu no subúrbio, galgou as etapas, até que o seu talento, funcionando como gazua, abriu-lhe as portas da cidade, onde actua até hoje, tendo-se tornado no músico residente do Hotel Polana. Também é importante referir que, não fugindo as vicissitudes da vida, o Kwekweti desintegrou-se, mas não partiu a alma do homem, que criou outra banda que se chamaria Quinteto Chiau, com a qual se apresenta até hoje, fazendo vibrar os amantes da música da década de 60, pois Chiau é um esplêndido intérprete.

Juntamente com Gabriel Chiau, foi ainda homenageada Miriam Makeba, e são do presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, David Simango, as palavras que se seguem: “Este ano o Festival Internacional de Música, homenageará dois músicos: o nosso estimado “marrabentista” Gabriel Chiau que, ao som da sua orquestra, tem feito dançar os maputenses e a nossa querida Mama África Miriam Makeba. Estas homenagens, amplamente merecidas, são exemplo da generosidade do nosso povo que sabe reconhecer os valores importantes da sociedade.

Como nos anteriores

Como nos festivais anteriores, também desta vez a cidade de Maputo recebe uma erudita combinação de música clássica e jazz e, pela primeira vez, os palcos da nossa cidade recebem o flamengo, prova da universalidade da música como expressão artística e meio de comunicação entre os povos.
Mais uma vez este Festival está a tornar-se – por aquilo que se viu até aqui e pelas propostas que ainda temos – um momento impar na vida da cidade de Maputo e que, certamente, muita alegria e bons momentos irá (está) a proporcionar aos amantes da boa música.

Vasto cardápio

Para além dos músicos que vêm do estrangeiro, temos outra proposta moçambicana. Irresistível. É o Majescoral. Este é um grupo que interpreta música tradicional, jazz, espiritual e clássica. É composto por mais de 30 pessoas de diferentes idades e crenças religiosas, de entre eles trabalhadores, estudantes, nacionais e estrangeiros.

Um dado muito importante neste conjunto é que Fausto António Chirute, moçambicano formado em regência de corais e orquestra sinfónica, na Rússia, com a ajuda de Natália Chamusso, também moçambicana, juntaram jovens de várias igrejas para formar um grupo coral que em 1994 assumiu o nome de Maputo Jazz and Spiritual Choir, ou simplesmente Majescoral. A primeira obra interpretada pelo grupo é do alemão Georg Frederich Handel, num trabalho em que Faustino é coadjuvado pelo Reverendo Arão Litsure . Hoje, é um grupo reconhecido e respeitado.

Do estrangeiro o estendal é vasto, desde o pianista Joseph Walsh, que é o director artístico-adjunto e maestro-adjunto da Ópera de Virgínia, uma das mais importantes óperas regionais americanas. Na ópera de Virgínia, Joseph Walsh foi nas temporadas passadas, o maestro principal para as produções de “The Elixir of Love” e “The pirates os Penzance. Na próxima temporada dirigirá “Rhe Duaghter of the Regiment” e “Don Giovani”.

Maputo viu na última quarta-feira a artista Palma Concha Buika, uma espanhola que nasceu em Palma de Maiorca. Ela apresenta-se sob o nome de Buika e o seu álbum, Nina de Fuego, está presentemente nomeado para os Prémios Grammy Latino para Álbum do Ano.

A família de Buika é originária da Guiné Equatorial e ela cresceu em Espanha, no meio de ciganos e estrangeiros, como a única pessoa de descendência africana. A sua música mistura flamengo com soul, jazz e funk.  Mas as propostas vão para além disto, passando pelo maestro Peter Mark, o violoncelo Nikolay Gimaletdinov, o tenor Dan Snyder e a pianista Paola Girardi.

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