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Fracassa trégua em Gaza, os combates recomeçam e Israel retira negociadores

Um cessar-fogo na Faixa de Gaza terminou, esta terça-feira (19), quando os militantes palestinos dispararam dezenas de foguetes contra Israel, que lançou ataques aéreos que as autoridades de saúde disseram terem matado três pessoas, incluindo uma mulher e uma jovem, na Faixa de Gaza.

Acusando os islâmicos em Gaza de romper a trégua, Israel prontamente retirou os seus negociadores das conversas no Cairo, deixando em aberto o destino dos esforços mediados pelos egípcios para garantir uma paz duradoura.

Foguetes foram lançados de Gaza quase oito horas antes de o cessar-fogo prorrogado na segunda-feira expirar. Mais tarde, dezenas de projécteis foram disparados contra uma série de cidades e um deles atingiu um campo aberto na região de Tel Aviv, causando algum dano, mas nenhuma morte.

Testemunhas em Gaza relataram que aeronaves de Israel realizaram 35 ataques, incluindo um contra uma casa na Cidade de Gaza, onde as autoridades hospitalares disseram que uma mulher e uma menina de dois anos foram mortas.

Uma terceira pessoa não identificada também morreu na ofensiva. A imprensa israelita afirmou que o seu país almejou atingir uma autoridade do alto escalão do Hamas na moradia, possivelmente o chefe da operação de lançamento de foguetes.

O Exército não quis comentar o bombardeio da casa, declarando somente ter alvejado 30 localidades em Gaza, esta terça-feira (19). O Hamas, que domina Gaza, afirmou ter disparado pelo menos 40 foguetes contra Israel depois do incidente mortal, mirando Jerusalém e Tel Aviv, especialmente o Aeroporto Internacional Ben-Gurion.

Uma autoridade de segurança israelita disse que as actividades do aeroporto não foram interrompidas. Um porta-voz da polícia disse que um carro foi danificado em Tel Aviv e um foguete foi interceptado na área de Jerusalém, onde testemunhas ouviram várias explosões logo depois de as sirenes terem soado.

O Exército disse que um foguete caiu numa área aberta. O braço armado do Hamas emitiu um comunicado depois da saraivada de foguetes acusando Israel de “violar a calma e cometer um massacre… o inimigo abriu os portões do inferno”.

Prometeu que Israel irá “pagar um preço alto” pelos seus ataques aéreos. O grupo havia negado envolvimento nos disparos de foguetes quando três deles atingiram a região de Beersheba, no sul de Israel, o que o país denunciou como rompimento da trégua prevista para durar até as 18h desta terça-feira.

Fim das negociações

Por ordem do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, os representantes de Israel presentes no Cairo para conversas indirectas sobre o fim do conflito em Gaza e o destino do território voltaram imediatamente para casa.

Israel vem afirmando reiteradamente que não irá negociar sob fogo, e os mediadores egípcios têm penado para pôr fim à guerra de cinco semanas e selar um acordo que abriria caminho para a chegada de ajuda para a reconstrução do território de 1,8 milhão de habitantes, onde milhares de lares foram destruídos.

Dando a entender que Israel espera mais episódios de violência, os militares instruíram os civis do país a erguer abrigos até 80 quilómetros distantes de Gaza, ou para além da área de Tel Aviv.

Uma autoridade palestina de alto escalão em Gaza afirmou que os pontos da discórdia para um acordo no Cairo são a exigência do Hamas para construir um porto e um aeroporto, que Israel só quer discutir noutra etapa. Já Israel pediu o desarmamento dos militantes no enclave. O Hamas diz que entregar as armas está fora de cogitação e culpou os israelitas pelo impasse nas conversas.

Pontuada por várias tréguas temporárias, a escala dos combates em Gaza diminuiu bastante desde que Israel retirou as suas tropas terrestres do território palestino duas semanas atrás, e nenhum dos lados pareceu disposto a arrastar a guerra.

Mas na segunda-feira Netanyahu declarou que os militares do seu país estão preparados para realizar “acções muito agressivas” se os disparos contra Israel recomeçarem.

De acordo com o Ministério da Saúde palestino, 2.019 pessoas, a maioria civis, foram mortas na Faixa de Gaza desde que a guerra começou, a 8 de Julho. Do lado israelita, 64 soldados e três civis morreram durante a ofensiva.

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