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Forças governamentais desarmam e encurralam Afonso Dhlakama na cidade da Beira; Presidente Nyusi ignora este incidente que não contribui para a paz em Moçambique

Polícia admite ter abusado da autoridade ao invadir a casa de Afonso Dhlakama na Beira

Foto mural de Ivone SoaresMenos de 24 horas após o líder da Renamo ter reaparecido em Gorongosa, província de Sofala, a Unidade de Intervenção Rápida (UIR) e o Grupo Operativo Especial (GOE), duas forças governamentais opressivas e anti-motins, cercaram a casa de Afonso Dhlakama, por volta das 06h00 de sexta-feira (09), no bairro das Palmeiras, na cidade da Beira, bloquearam todos os acessos, forçaram os vizinhos a abandonarem as suas residências, impediram a circulação de viaturas e neutralizaram os seguranças pessoais de Dhlakama.

Enquanto o presidente do maior partido da oposição em Moçambique, que afirmou nesta quinta-feira não ter medo de morrer e que vai continuar a lutar pela democracia, está como um refém das Forças Governamentais o Presidente de Moçambique e Comandante em Chefe, Filipe Nyusi, reafirmou que o diálogo é o único caminho para a paz, num comício na cidade Pemba.

As duas forças, fortemente armadas e fazendo-se transportar em veículo de combate com revestimento contra projécteis, arremessaram o gás lacrimogéneos contra algumas pessoas, das quais crianças, que se aproximaram do sítio para perceber o que se passava. Alguns elementos da UIR exibiram a sua musculatura sobre os jornalistas que estavam no lugar, pois Afonso Dhlakama tinha agendado um conferência de imprensa para as 09h00 de sexta-feira. Francismo Raiva, jornalista do canal privado STV, e o seu operador de câmara foram empurrados por um membro da UIR, o qual obstruiu também a captação de imagens com a palma da mão.

“Eu já morri. Não tenho medo de morrer. Tudo o que faço é por este povo pé descalço. Eles querem que o país regrida 40 anos. Que não haja democracia. Mas nós estamos aqui e vamos continuar a lutar”, afirmou o líder do partido Renamo na tarde de quinta-feira (08) na matas de Macucuá, em Gorongosa, onde apresentou-se a jornalistas (mas não aceitou nenhuma perguntas destes) e observadores convidados pelo seu partido para assistir ao seu ressurgimento, volvidas duas semanas depois de ter desaparecido a 25 de Setembro último, data em que a comitiva de que fazia parte foi emboscada em Gondola, em Manica.

O cerco da habitação do auto-proclamado “pai da democracia” deve-se alegadamente ao facto de durante o seu reaparecimento, as Forças de Defesa de Segurança terem verificado que os seus guardas dispunham de equipamentos cujo calibre “ultrapassa os níveis de segurança de uma individualidade” e pretendiam aferir a origem dos instrumentos bélicos, segundo a rádio e televisão estatais (RM e TVM).

Lourenço do Rosário e Dom Denis Sengulane, parte dos mediadores do diferendo que opõe a Renamo do Governo, já estavam de regresso a Maputo mas interromperam a viagem devido à invasão e dirigiram-se ao domicílio de Dhlakama, onde mantiveram um encontro com ele durante horas a fio, com a UIR e GOE do lado de fora impedindo a aproximação de qualquer pessoa do perímetro da casa cercada.

Enquanto os homens da Renamo eram mantidos dentro de uma viatura blindada da Polícia, bem vigiada e que continuava no sítio do “assalto”, António Muchanga e Manuel Bissopo, porta-voz e secretário-geral desta formação política, os jornalistas, Ivone Soares, chefe da bancada parlamentar da Renamo, foram obrigados a permanecer fora e distante do domicílio onde os mediadores e Dhlakama conversavam.

Alice Mabote, que também fez parte do grupo que buscou o presidente da “Perdiz” nas matas de Macucuá, questionou os mecanismos a que Presidente da República, Filipe Nyusi, na qualidade de Comandante em Chefe das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, recorre para materializar o desejo da propalada paz, ao admitir que situações como aquelas acontecessem a peça considerada chave para o fim a tensão político-militar que tem empurrado o país para a cisão.

“(…) Que mecanismos o chefe de Estado usa para que o país ande. O que é que se está a passar?”, perguntou a presidente da Liga do Direitos Humanos. Por sua vez, Ivone Soares considerou que o que aconteceu é um atentado à democracia e “terrorismo por parte do Estado”, que na sua opinião deve encontrar uma plataforma funcional de diálogo.

Não foi possível apurar quantos elementos da guarda pessoal de Dhlakama foram desarmados e detidos. É desconhecido o número de homens armados que o maior partido da oposição mantém assim como a sua localização mas há registo da sua presença um pouco por todo país.

Oficialmente nenhuma entidade do Governo reagiu a esta acção da Unidade de Intervenção Rápida e do Grupo Operativo Especial. Contactado pela agência Lusa, o Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique em Sofala disse ser “inoportuno” pronunciar-se sobre os acontecimentos.

Entretanto o Presidente Nyusi, ignorando completamente estes acontecimentos que não contribuem para a paz, faz o papel de anfitrião do seu homólogo da Tanzania, Jakaya Kikwete, que desde esta quinta-feira visita Moçambique.

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