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Forças Armadas da África do Sul em estado de alerta

As Forças Armadas da África do Sul (SANDF) estão em estado de alerta pela primeira vez desde a o fim do Apartheid, em 1994, devido ao encontro que o destituído líder da ala juvenil do partido no poder, ANC, Julius Malema manteve com os militares na última quarta-feira na base militar de Lesania, a poucos quilómetros da cidade de Joanesburgo.

Este encontro acontece depois de Malema ter-se reunido com os mineiros das diferentes companhias da província de Gauteng, onde lhes sugeriu que observassem uma greve à escala nacional a partir do dia 16.

O porta-voz de Malema, também expulso da liga juvenil do ANC, Floyd Shivambu, disse em comunicado que este encontro surge em resultado dos apelos feitos por parte dos militares a Julias Malema, para que ele estivesse a par dos problemas que lhes afectam. “Finalmente, os integrantes da mais importante ala da defesa da República da África do Sul, decidiram falar abertamente da marginalização a que estão sujeitos no exercício das suas funções”.

Por seu turno, o porta-voz do Ministério da Defesa, Siphiwe Dlamini, confirmou a activação do estado de alerta no seio das forças armadas a nível nacional. “ As forças Armadas não constituem uma força partidária. E este encontro dos militares com Malema é visto como uma medida de incitamento, que para nós constitui um acto criminal”.

Já a ministra dos Antigos Combatentes, Nosiviwe Mapisa-Nqakula, refere que Malema tem, nos últimos dias, criado uma situação de caos no sector das minas para que a economia sul-africana se desestabilize. “O país não pode conseguir lidar com esta situação. As SANDF constituem a última linha da defesa do país. Nós não podemos admitir que alguém jogue a sua política contra este sector”.

De acordo com Mapisa-Nqakula, qualquer tentativa de sabotagem ou de desestabilização da área militar será considerada anti-patriótica e anti-revolucionário. Nenhum militar, segundo o comunicado emitido pelo Ministério dos Antigos Combatentes, foi autorizado pelos seus superiores a participar na reunião com Malema.

Entretanto, o porta-voz do Sindicato Nacional da Defesa, Pikkie Greeff, afirmou que a sua organização não estava envolvida no assunto, mas adiantou que os seus aliados pretendiam discutir com Julius Malema questões ligadas às nomeações de altas patentes militares por parte do ANC, baixos salários, reivindicações em volta das exonerações e questões de ordem disciplinar.

Malema reitera apoio à (uma possível) greve no sector das minas

Falando na noite de terça-feira à cadeia de televisão CNN, Julius Malema reiterou, mais uma vez, o convite a uma greve à escala nacional dos mineiros, o mesmo que tinha feito aos operários da mina de Gold Fields de Driefontein, próximo de Carletonville, a este de Joanesburgo.

Dirigindo-se a cerca de dois mil grevistas, Malema, apelou aos mineiros a obedecerem a uma greve nacional de cinco dias em cada mês, até que os responsáveis das companhias respondam favoravelmente às suas reivindicações, nomeadamente o aumento salarial, a melhoria das condições e trabalho, assim como a destituição dos líderes do movimento sindical, a União Nacional dos Mineiros, NUM.

“Enquanto a NUM for presidida por Senzeni Zokwana e tiver Frans Baleni como secretário-geral, os mineiros não terão nenhum progresso”, advertiu Malema. Questionado acerca das suas “investida” às minas nos últimos dias, Malema afirmou que a Liga Juvenil do ANC (ANCYL) herdou a liderança da luta para que os recursos minerais do país beneficiem a todos, principalmente os que se sujeitam ao trabalho de risco para a sua extracção.

Malena desmentiu ainda as alegações segundo as quais teria entoado a polémica canção “Kill the Boer” (Matar o Boer), de autoria do braço armado do ANC, Umkhonto we Sizwe, durante a luta contra a segregação racial, o Apartheid. Na mesma ocasião Malema disse ter substituído as palavras polémicas pelas de reconciliação “Kiss the Boer, kiss the farmer” (Beija o Boer, beija o agricultor).

Para o porta-voz do NUM, Lesiba Seshoka, a convocação da greve “ilegal” é um acto infantil e irresponsável, e apela aos seus membros para que não aceitem o convite de Malema e a pautarem pela disciplina.

A Federação dos Sindicatos da África do Sul (Cosatu) também apelou os mineiros a não entrarem no jogo político de Malema, que está a “usar” as emoções e a revolta dos mineiros para fins pessoais. A Cosatu adiantou ainda que a agenda de Malema não consiste em atingir os proprietários das minas, mas sim enfraquecer o sindicato dos mineiros, NUM.

Na mesma na esteira, a activista da luta contra o apartheid, Mamphela Ramphele, defendeu que os eventos recentes de Marikana, onde cerca de 34 mineiros foram mortos pela polícia, indicam que a sociedade falhou na visão para o bem-estar do país depois da realização das primeiras eleições democráticas em 1994.

Ramphele adiantou ainda que o Governo, o sector privado e os sindicatos deveriam tomar a responsabilidade dos actuais eventos. Para esta activista, os líderes sindicais criaram condições para que os outros tomassem vantagens da situação dos mineiros.

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