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FDC produz documentário sobre tráfico de pessoas

A Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), uma instituição não-governamental moçambicana, produziu um documentário televisivo sobre o tráfico de pessoas no país. De acordo com uma nota de imprensa da FDC, recebida na segunda-feira pela AIM, o documentário intitulado “Sob a Poeira da Estrada” surge pelo facto de o tráfico de pessoas estar a ganhar proporções alarmantes em Moçambique, sendo as mulheres e crianças as principais vítimas deste fenómeno.

Assim, o documentário é um contributo da FDC e outras entidades governamentais e não-governamentais nacionais e estrangeiras, para a criação de um ambiente mais favorável na promoção e protecção dos direitos da criança no país. O objectivo é chamar atenção a sociedade moçambicana para trabalhar e buscar cada vez mais esforços para a protecção dos cidadãos, em especial mulheres e crianças.

O documentário discute a questão do tráfico de pessoas que acontece dentro do país e a partir do território moçambicano. O mesmo destaca conceitos, rotas, redes de traficantes, fragilidades sociais e legais, abordando as causas e consequências, com declarações de especialistas na matéria.

O documentário coloca a mesa depoimentos da sociedade civil, Governo, da imprensa e resgata imagens que mostram pessoas traficadas, rostos dos traficantes, alem de cenas “preocupantes” do esquema de travessia ilegal numa das fronteiras moçambicanas.

Em Moçambique, estima-se que cerca de mil pessoas se deslocam, anualmente, a África do Sul a procura de emprego mas que acabam entrando em actividades ilícitas, como prostituição e tráfico de drogas. Dados revelados pela Rede da África Austral Contra o Tráfico e Abuso de Menores (SANTAC, sigla inglesa) mostram que mensalmente crianças moçambicanas e swazis são traficadas para a África do Sul.

Por outro lado, 38 mil crianças se movimentam anualmente a nível da região Austral, das quais 28 mil estão envolvidas na prostituição. Deste número, 20 por cento são moçambicanas. Moçambique é um país vulnerável ao tráfico de pessoas, por ser um corredor, situação agravada pelo facto de partilhar fronteiras com vários países, incluindo a África do Sul, que é considerado potencial destino do tráfico.

Por outro lado, a vulnerabilidade de Moçambique resulta do facto de a emigração ser uma tradição no país, uma vez que as pessoas saem das suas zonas de origem, principalmente para a África do Sul, a procura de melhores condições de vida.

Esta situação poderá se agravar nos próximos tempos em face da preparação do campeonato mundial de futebol, a realizar-se na África do Sul, a partir da próxima semana, um evento que vai atrair milhares de pessoas provenientes de todos os cantos do planeta. Nesse contexto, teme-se que muitas mulheres e crianças possam ser traficadas. Umas para trabalhar sem a compensação justa, outras para fins de “turismo sexual”.

De referir que o documentário sobre tráfico de pessoas, produzido pela FDC em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e outros parceiros de cooperação, incluindo instituições do Governo e organizações da sociedade civil, será apresentado publicamente na terça-feira, em Maputo.

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