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Faltam condições de sobrevivência em Chondilo

Faltam condições de sobrevivência em Chondilo

Na comunidade de Chondilo, do distrito de Massinga, na província de Inhambane, 563 habitantes consideram-se abandonados pelas autoridades em virtude da falta de serviços sociais básicos, tais como centro de saúde, vias de acesso em melhores condições de transitabilidade, fontes de água potável, instituições de ensino secundário. A população queixa-se, também, de fome e seca, o que no seu entender resulta da falta de chuva. Aliás, ela receia que se o problema persistir, os coqueiros e as machambas, únicos meios de subsistência, poderão extinguir.

Em Chondilo, indivíduos de todas faixas etárias percorrer grandes distâncias à procura do coco e sua copra para revender, porém, este produto deveras procurado para gerar renda tende a escassear a cada ano que passa e os níveis de produção reduziram drasticamente.

A água é também escassa naquela comunidade e o único poço que existe foi aberto no tempo colonial, de acordo com os próprios moradores; por isso, pessoas de todas as idades são vistas na rua com bidões e baldes de água na cabeça – percorrem entre cinco e sete quilómetros – ou, por vezes, com esses recipientes amarrados nas juntas de bois.

Fernando Comé de 45 anos de idade, reside na comunidade de Chondilo, desde o tempo da guerra dos 16 anos, contou-nos que ainda adolescente viu-se forçado a trabalhar para sustentar a sua namorada, a qual engravidou precocemente. Sem emprego, pois localmente há falta de quase tudo, particularmente para ganhar dinheiro, enveredou pela produção de coco e sua revenda na cidade de Maputo. Por via disso, Fernando Comé abandonou os estudos quando frequentava a 6ª classe do ensino rudimentar.

A primeira viagem de comércio foi rentável, porém, os ganhos duraram cincos anos, tempo durante o qual investiu na compra e plantio de coqueiros mas hoje já não lhe rendem quase nada. A agricultura continua primitiva e dependente das condições naturais, o coco é único recurso com que se alimentam muitas famílias mas tende à desaparecer porque os palmeres já não produzem e a chuva não cai.

Célia Mucandze reside na mesma comunidade e dedica-se à agricultura. Para ela as condições de sobrevivência tendem a piorar por falta de meios. “Estamos numa ilha abandonados como se não fossemos moçambicanos e ninguém faz nada para desenvolver a comunidade, implantar hospitais, sistemas de abastecimentos de água e escolas secundárias. Já não conseguimos sobreviver dos produtos da machamba porque não há produção por falta de chuva e somos obrigados a comprar alimentos. As dívidas aumentam e o nosso poder de aquisição reduz de forma preocupante.”

Fortunato Damião disse que a seca se agrava a cada ano que passa e afecta a produção, o que faz com que a fome seja iminente. Se as autoridades locais não pressionarem o governo distrital a tomar medidas cautelares para evitar bolsas de fome, nos próximos tempos muita gente poderá morrer por falta de uma alimentação básica.

O líder comunitário de Chondilo, Luís Mangue, disse ao @Verdade que a única infra-estrutura erguida pelo Governo, após a independência nacional, foi a Escola Primaria de Chondilo, que já lecciona até a 7ª classe. “A comunidade é órfã de quase tudo e para tomar um transporte, o que obriga os moradores percorrem sete a 10 quilómetros para a paragem.”

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