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Falta de barragens limita aproveitamento de água

Moçambique perde grandes quantidades de água para o mar, devido a falta de infra-estruturas para a retenção do preciso líquido. Esta situação ocorre quando em algumas partes do país, as populações são forçadas a percorrer longas distâncias para ter acesso a água.

Por outro lado, a agricultura moçambicana depende das chuvas por falta de disponibilidade de água para a irrigação dos campos.

Segundo o Director Nacional de Águas, Julião Alferes, Moçambique possui uma capacidade de armazenamento da água calculada em cinco por cento, estando 90 por cento dessa capacidade concentrada na Barragem de Cabora Bassa, bacia do Zambeze.

A capacidade de escoamento de Moçambique e’ de biliões de metros cúbicos, destes 54 por cento gerados nos países a montante, que o significa que os restantes 95 por cento perdem-se no mar. A insuficiência de capacidade para armazenar água coloca Moçambique em situações de vulnerabilidade extrema no caso da ocorrência de secas e inundações.

Moçambique partilha nove rios principais com países da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), que no período de húmido descarregam grandes quantidades de água, provocando inundações no país. No período seco, os países a montante retêm a água nas suas barragens, colocando Moçambique numa situação de extrema escassez deste recurso.

Se existissem infra-estruturas de armazenamento, Moçambique iria aproveitar os momentos em que os países à montante fazem descargas para reter a maior quantidade possível de água para satisfazer as suas necessidades na época seca.

“Moçambique perde muita água para o mar por falta de infra-estruturas para a sua retenção. Há que ter condições para o armazenamento da água. Por isso, o Governo está a procura de financiamento para a construção de algumas barragens para garantir a disponibilidade de água” disse.

Actualmente, o Governo está concentrado nos projectos de construção das barragens de Moamba Major, em Maputo, avaliada em 500 milhões de dólares e de Boé Maria, na província de Sofala, no centro do país, cujo valor do investimento não foi revelado.

O Governo também está empenhado na conclusão da colocação das comportas no descarregador de superfície da Barragem de Corrumana, província de Maputo, avaliada em 100 milhões de dólares. De acordo com Alferes, existem em Moçambique 120 barragens que merecem a atenção do Governo nos próximos anos, devido a sua importância no incremento da disponibilidade de recursos hídricos ao país.

As barragens de Moamba Major, Corrumana e Bué Maria vão contribuir para o incremento da disponibilidade de água para a cidade e província de Maputo, no sul, bem como para a cidade da Beira, na zona centro, respectivamente.

“Estamos a trabalhar nestas três barragens e temos algum interesse por Mapai, na província de Gaza. As barragens de Moamba Major e Corrumana vão contribuir para responder a demanda de água do Grande Maputo, portanto, da Cidade da Matola, bairros das Mahotas, Zimpeto, e outros, previstas para os próximos 30 anos” disse.

Os projectos prioritários do Governo prestam especial atenção para a cidade e província de Maputo, pelo facto de a capital do país precisar de garantir água para os próximos anos, tendo em conta a tendência de crescimento populacional nesta região.

Neste momento, o Governo está a negociar com o Banco Mundial e outras instituições financeiras a disponibilização de recursos para a construção das referidas barragens.

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