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Exército egípcio ameaça disparar contra manifestantes violentos

O Exército do Egito ameaçou, esta Quinta-feira (26), balear quem usar a violência durante os protestos, num rigoroso aviso antes de um potencial confronto sangrento entre partidários e oponentes do presidente deposto Mohamed Mursi.

Um oficial do Exército disse que os militares impuseram um ultimato à Irmandade Muçulmana, de Mursi, para que aceite até Sábado um plano de reconciliação política.

Os militares convocaram os egípcios para saírem às ruas, Sexta-feira, no que pode marcar uma nova etapa no confronto das Forças Armadas contra os partidários de Mursi, um presidente eleito democraticamente e deposto a 3 de Julho pelos generais.

A Irmandade Muçulmana, que mantém uma vigília há um mês com milhares de partidários exigindo a restituição de Mursi, também convocou os seus seguidores em todo o país para um “dia de remover o golpe”.

Os dois lados elevaram dramaticamente o tom da sua retórica antes das manifestações da Sexta-feira. A Irmandade acusou o Exército de empurrar o país na direcção de uma guerra civil.  Numa postagem no Facebook, o Exército disse que não irá “voltar as suas armas contra o seu povo, mas irá voltá-las contra a violência e o terrorismo, que não tem religião nem nação”.

O comandante máximo do Exército, general Abdel Fattah al-Sisi, convocou os egípcios para saírem às ruas e lhe darem um “mandato” para agir contra a violência que convulsiona o Egito desde a derrubada de Mursi. A Irmandade, que venceu sucessivas eleições desde a derrubada do regime de Hosni Mubarak, em 2011, acusou as autoridades de incitarem a violência para justificar a repressão.

Pela TV Al Jazeera, o influente clérigo egípcio Youssef al Qaradawi, radicado no Catar, lançou um édito religioso conclamando os soldados a desobedecerem as ordens para matar. Enquanto isso, o principal grupo juvenil anti-Mursi, que apoia a intervenção do Exército, disse que sairá às ruas para “limpar o Egito”.

O Ocidente está cada vez mais alarmado com a turbulência no estratégico Egito, mais populoso país árabe, e, esta Quinta-feira, o governo dos Estados Unidos pediu ao Exército egípcio que exerça “a máxima moderação e cautela”.

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