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EUA: primeira votação testa reforma de Wall Street no Senado

A reforma de Wall Street, prioridade máxima do presidente Barack Obama, passa pelo primeiro teste crucial, esta segunda-feira, no Senado americano, num momento em que os altos executivos do banco Goldman Sachs são esperados na terça-feira no Congresso para se explicar por acusações de fraude.

A maioria democrata, que dispõe de 59 dos 100 votos no Senado, um a menos que o necessário para evitar uma obstrução da oposição, decidiu agir nesta segunda-feira programando uma primeira votação sobre a abertura ou não dos debates sobre o projeto de lei no plenário. A votação está prevista para as 17H00, hora local, mas os líderes republicanos, que reconhecem que os projetos foram elaborados durante as negociações entre os dois partidos, anunciaram que estão prontos para impedir o texto.

“Teremos um projeto de lei nesta segunda? Duvido”, declarou o senador Richard Shelby à televisão. Diante do risco de paralisia do projeto de lei destinado a evitar uma nova edição da crise financeira de 2008, os democratas reagiram impondo aos republicanos uma decisão. “Os republicanos devem tomar uma decisão importante: se vão se colocar ao lado dos americanos e se juntar a nós para tirar Wall Street de uma condição arriscada que custou oito milhões de empregos (…), ou se vão seguir as ordens que receberam durante encontros secretos com os donos de Wall Street?”, informaram num comunicado da direção democrata.

Perto das eleições legislativas de metade do mandato, as discussões sobre Wall Street se intensificam. Segundo uma pesquisa do Washington Post/ABC, publicada nesta segunda, a opinião americana apoia por 65% contra 31% um aumento no controle do sistema financeiro. Na terça-feira, uma comissão do Senado deverá trazer mais argumentos para os partidários de uma reforma rápida.

Os altos dirigentes do Goldman Sachs, incluindo o presidente Lloyd Blankfein e seu diretor financeiro David Viniar, vão testemunhar diante uma comissão permanente de investigação ao lado de Fabrice Tourre, o francês que estaria no centro das queixas das autoridades financeiras americanas contra o banco.

No último sábado, a comissão publicou mensagens eletrônicas trocadas pelos executivos do banco que dão indícios de que os donos do Goldman Sachs podem ter embolsado milhões de dólares em meio ao desempenho em baixa do mercado de créditos imobiliários de risco. Contudo, o banco nega as acusações.

O presidente Obama defendeu na quinta-feira a reforma, enfatizando que, sem a ação do Congresso, os Estados Unidos estariam fadados a uma nova crise financeira. “É essencial que aprendamos com as lições desta crise, para que não aconteça novamente”, declarou o presidente americano durante um discurso pronunciado em Nova York. Se os parlamentares votarem a favor da abertura dos debates, as discussões devem durar duas semanas.

Os republicanos se opõem especialmente ao fundo de 50 bilhões de dólares “pagos antecipadamente” aos bancos, para combater eventuais dificuldades. O projeto de lei prevê a criação de uma instituição de proteção ao consumidor financeiro, no seio do banco central (Fed). Propõe também uma melhor supervisão do imenso mercado de derivativos. Os autores do texto esperam ainda pôr um fim aos resgates de grandes instituições financeiras em dificuldade à custa dos contribuintes.

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