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SELO: Estou cansado – por César Macamo

Estou cansado de me recordar de que em 2007, aquando da governação do edil Dr. Comiche, fomos convidados, como jovens, para nos inscrevermos com vista a termos direito a terrenos. Eu segui todos os trâmites legais. Este senhor deixou de ser o edil, este projecto foi por água abaixo e o terreno que é bom também se foi. Estou particularmente agastado porque fomos obrigados a desembolsar 50 meticais para o efeito.

Estou cansado de ir ao município de Maputo para obter informações sobre o processo mas ninguém está lá para me atender. Estou cansado. Mas diz-se que a terra não se vende… Estou cansado de pagar o Imposto Pessoa Autárquico (IPA) e demais taxas municipais sem que nada que justifique tal pagamento aconteça. Em tempos de faculdade aprendi que por uma taxa há retributo directo do benefício, mas aqui na minha terra só Deus nos salvará.

Estou cansado de ver carros de recolha de lixo a andarem sem lonas e a espalhar o lixo por tudo o que é canto por onde passam, mas o carro daquele pequeno empreendedor que transporta areia branca ou vermelha para ser descarregada numa obra é multado por não ter lona que proteja a mesma areia. Qual é a coisa mais nociva à saúde: o lixo ou a areia? Estou cansado de ver uma sociedade como a nossa a ser governada sem respeito um pelo outro. Mas lá está: quem deve impor a lei não consegue o fazer, pois tem rabo preso. Deixa andar…

Estou cansado de me recordar que em Novembro de 2012, o edil da cidade de Maputo disse que até Novembro de 2013 já não haveria nenhum “My Love” a circular nas artérias da capital moçambicana, mas o que me consta é que de lá para cá o número de “My Loves” cresceu exponencialmente. Estou cansado de ver e saber que as pessoas são sequestradas a bel- -prazer pelos malfeitores, outras extorquidas diariamente e desprevenidas, enquanto os polícias de protecção pululam pelas estradas mandando parar tudo o que é viatura, alegando que estão a manter a ordem e a segurança públicas, enquanto estão a pedir dinheiro de “cerveja” e deixando de patrulhar os locais onde as populações vivem.

Quando um crime acontece chegam ao local muitas horas depois, ou mesmo não se dirigem ao local e dizem que irão esclarecer o caso mas nunca o fazem. Estou cansado de me recordar de que fui assaltado em casa duas vezes e quando meti queixa na Polícia fui informado de que o processo de investigação foi aberto, mas contra pessoas desconhecidas.

César Macamo

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