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Espectro de cheias aflige e isola a população em Moçambique

As áreas consideradas propensas a inundações em Moçambique, principalmente nas províncias de Gaza, Inhambane, Sofala e Zambézia, estão alagadas devido a chuvas cuja queda prolongar-se-á até Março próximo, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) e o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC). Este reporta mortes, destruição de infra-estruturas sociais, habitações, culturas alimentares e interrupção de vias acesso e, por conseguinte, o retraimento das populações, o que exige delas o abandono urgente das regiões de risco.

A na província de Gaza, as vias de acesso que garantiam a comunicação com as sedes distritais de Mabalane, Massangena, Chigubo e os postos administrativos de Nkubo, Mavue estão condicionadas e já há dificuldades de provisão em produtos da primeira necessidade, tais como sabão, arroz, açúcar, sal e óleo alimentar, bem como medicamentos. Estes foram alocados às unidades sanitárias de Mavue, por exemplo, através de bicicletas. Neste momento em que a chuva abrandou mas algumas estradas continuam intransitáveis, o abastecimento dos estabelecimentos comerciais é feito com recurso a tractores.

Em Sofala, pelo menos 110 hectares de culturas alimentares diversas estão submersos e na Beira, no distrito de Machanga, aproximadamente 70 hectares delas são dadas como perdidas em consequência das chuvas, principalmente o milho e arroz em Chibabava, para além do isolamento de algumas comunidades por causa do corte de certas vias de acesso.

A circulação do batelão que permitia a travessia de pessoas e bens está interrompida devido à subida do caudal do rio Búzi, desde a semana passada. A assistência das localidades de Bandua, Ampara, Chissinguana, Inharongue e os postos administrativos de Estaquinha e Nova Sofala é feita de motorizadas. Na mesma província, a rota Beira-Búzi encontra-se em precárias condições de transitabilidade, o que piorou com a chuva que cai desde finais do ano passado.

Os efeitos nefastos da chuva são ainda visíveis no troço Tica-Búzi e Búzi/Ampara, facto que fez com que reduzisse a frota das viaturas que asseguravam o transporte depessoas. Das dezenas de carros de 15 lugares que circulavam no mesmo troço, agora só operam, por dia, seis a sete “chapas”. Os de 30 lugares paralisaram as actividades devido à danificação nesses meios circulantes.

Em Dondo, a estrada que liga o posto administrativo de Savane e a área turístico-piscatória de Nhangau continua intransitável, bem como a ligação da Estrada Nacional número Seis e Chissage. Ainda no distrito de Machanga, as chuvas provocaram prejuízos avultados e as autoridades indicam a destruição de 58 casas, das quais 29 totalmente e as restantes de forma parcial, enquanto na zona costeira do Banco de Sofala houve danificação de cinco escolas, duas convencionais e três de construção precárias.

Para da desgraça que aconteceu nas províncias do Niassa e de Cabo-Delgado em consequência do desabamento de casas e árvores, na Zambézia, onde pelo menos 28 casas foram destruídas nos distritos de Lugela e Milange e duas pessoas mortas em resultado das descargas eléctricas associadas a chuvas, há dreceio de ocorrência de vendavais e ciclones nos distritos de Pebane, Mocuba, Gilé, Alto Molócuè, Gúruè e previsão de enxurradas nos distritos de Chinde, Mopeia, Morrumbala, Nicoadala, Maganja da Costa e na cidade de Quelimane.

No distrito de Chemba, três vias de acesso, nomeadamente entre a vila sede com a localidade de Goe, posto administrativo de Mulima e Lambane estão interrompidas. Na vila de Caia, na região do Baixo-Zambeze, o INGC registou a destruição completa de nove casas, porém, as famílias afectadas estão a reconstruí-las agraças à ajuda do governo local. Ainda em Machanga, a ligação por estrada entre o posto administrativo de Divinhe e a sede distrital está suspensa, também, devido à chuva e, neste momento, recorre-se à via marítima para uma comunicação com Sofala.

Nas províncias de Gaza, Inhambane, Manica e Sofala, os distritos de Massangena, Chicualacuala, Chigubo, Mabote, Govuro, Inhassoro, Vilankulo, Machaze, Mossurize, Sussundenga, Gondola, Chimoio, Machanga, Chibabava, Búzi, Dondo e cidade da Beira, foram fustigados por chuvas intensas esta semana. Rita Almeida, porta-voz do INGC, disse ao @Verdade que nos próximos dias em algumas destas regiões há possibilidade de ocorrência de chuvas intensas, por isso, apela às comunidades para que abandonem as zonas de risco para os lugares seguros.

Entretanto, apesar de o Governo referir que está preparado para fazer face à eventual ocorrência de cheias no país, nas zonas onde houve destruições, no início do ano passado, uma parte considerável das infra-estruturas não está reabilitada, pese embora estar-se numa época chuvosa. Exemplo disso é que os cortes registados em diversos pontos da estrada Chissano-Chibuto ainda não foram reparados, além de que, na Estrada Nacional número 1 (EN1), ponte metálica colocada à entrada da cidade de Xai-Xai devido às cheias de 2013, ainda não foi desfeita, pois a ponte de betão continua danificada.

Relativamente aos diques de protecção, principalmente na cidade de Chókwè, que nas últimas cheias foi a mais afectadas na zona sul de Moçambique, a ministra da Administração Estatal, Carmelita Namashulua, disse que a reconstrução está numa fase terminal e as equipas estão a redobrar esforços para tapar as brechas existentes.

Refira-se que o Departamento de Análise e Previsão do Tempo (DPAT) no INAM prevê abrandamento de chuvas nos próximos dias em quase todo o país, pese embora a possibilidade de ocorrência de aguaceiros e trovoadas nalgumas regiões, tais como no interior das províncias de Manica, Tete, Zambézia, Nampula e Niassa.

 

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