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Eles conduzem-nos à desgraça

O Governo de turno tem uma grande oportunidade de entrar para a história como um bom exemplo de incapacidade e incompetência. Só há uma possibilidade para que isso não aconteça: que o povo morra de fome muito antes que a tempestade económica comece a manifestar-se.

O ministro de Planificação e Desenvolvimento já fez o alerta de sempre: dias piores estão por vir. Num país em que o primeiro-ministro não manda – a sua função é meramente cosmética, quais as bolas na árvore de natal –, Aires qualquer coisa Ali, no seu estilo sacerdotal, lembrou-nos que caminhamos alegremente para o abismo. Estávamos a precisar dessa informação! Não é mesmo!!?

O ministro das Finanças ainda não falou se está a ser preparada em silêncio uma outra proposta de corte nas despesas, apesar de se saber que a inflação anda nos dois dígitos, além de caminharmos em direcção à hiperflação. Até porque não há mais nada para cortar do lado do povo, a não ser que queiram levar as cuecas rotas – por sinal, o único bem que resta e dá um mínimo de dignidade aos moçambicanos. A mensagem que essa turma que tem à frente o Presidente da República, também conhecido por Armando qualquer coisa Guebuza, pretende transmitir é: “Agarrem-se, ó bando de povo-parvo! Pois, vão cair. O país vai a pique, qual Titanic”. Só não dizem ao que o povo se deve agarrar.

Está história lembra a velha anedota, segundo a qual um homem está ao alto de uma escada a pintar a fachada do prédio e o seu auxiliar pedi-lhe para se agarrar ao pincel porque ele pretende levar a escada. Enquanto os moçambicanos têm de se agarrar ao pincel, Guebuza e a sua turma não falam em cortes nas “mesadas” que os permitem fazer travessuras nos hipermercados de Nelspruit, o parque de diversões de quem está à frente deste país, além de levarem uma vida principesca (leia-se folgada).

O povo ingenuamente tem-lhes confiado a resolução dos seus problemas e o destino da nação. Eles estão preocupados em ampliar os seus impérios económicos e, por isso, colocam o povo a ocupar-se de futebóis deprimentes e novelas anestesiantes, para não falar das Chamas-estupidificantes da Unidade Nacional e Anos fulano X e Y.

O PR tem alergia aos meios de comunicação social nacional. Prefere emitir esgares no estrangeiro, como fez recentemente na entrevista que concedeu ao canal de TV “Euronews”. Ainda não fez um pronunciamento público sobre a situação desgraçada a que nos leva. Aliás, quando aparece nos (tele ou rádio) jornais, é porque está a fazer as suas brincadeiras de estimação: inaugurar isto e aquilo.

Hoje parece que ninguém tem dúvida que o país continua a apostar no atraso. Moçambique nunca teve um dos melhores índices de qualidade de vida, nem uma economia próspera e controlada e tão-pouco conseguiu ser auto-sustentáveis na produção de alimentos. O nosso país importa anualmente quase um milhão de toneladas de cereais, o que o torna vulnerável a choques externos, uma vez que a produção nacional permanece incapaz de satisfazer as necessidades de consumo interno.

Moçambique tem défices notáveis em produtos que poderia produzir para o consumo interno e até ter excedente para exportar. Sabe o leitor o porquê desse défice? O país acostumou-se, nos últimos anos, a caridadezinhas, denominadas de ajuda externa, e a importar tudo que consome e, por isso, pouco ou quase nada foi feito para desenvolver a agricultura.

Quando o povo necessita de pão e água para boca, o Governo serve, de forma crua, overdoses de discursos sobre o combate à pobreza absoluta proferidos, curiosamente, de barriga cheia para domestica-lo. Eles – PR e os ministros disto e daquilo – conduzem-nos à desgraça.

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