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Editorial -Matéria para reflexao

Veio-me esta semana parar às mãos, trazido por um amigo, o número 363, respeitante ao mês de Abril de 2010, da revista “African Business”. Confesso que não sou particularmente sensível a temas económicos nem a números – prefiro ciências menos exactas, mais humanas – mas, face ao tema de capa, dificilmente poderia alhear-me dela.

O título era sugestivo: “Africa’s Top Companies 2010” – poderá traduzir-se por “As maiores/melhores Empresas de África em 2010”. Neste ranking a África do Sul domina largamente com 100 empresas entre as maiores 250. E os ramos são extraordinariamente diversos, desde a construção civil, passando pelas alimentares e telecomunicações até aos bancos e às de extracção mineira.

Há de tudo naquele país que não é exagero tratá-lo de uma forma separada, tal como se falava da Europa retirando a Rússia, mas neste caso a separação ficava a dever-se ao facto de só uma ínfima parte do território russo pertencer ao Velho Continente. Está de parabéns a Itissalat Al Maghrib – empresa marroquina de telecomunicações, a única a quebrar a esmagadora hegemonia sul-africana no top ten – que se posicionou em 8º lugar.

Aliás, o Magrebe, com destaque para Marrocos e Egipto, é, depois da África do Sul, a região com mais representação. Da África negra, o primeiro país a destacar-se é a Nigéria com o First Bank Nigeria a ocupar a 37ª posição, seguido depois de uma empresa queniana de telecomunicações que ocupa o 39º lugar. Pobre, muito pobre, esta classificação da África profunda, da verdadeira África como muita gente entende. Excepto a Nigéria – o petróleo e os 180 milhões de habitantes dão para tudo – ao correr-se a lista na diagonal, parece haver uma relação estreita entre os países representados e a boa governação, onde se destacam as políticas inteligentes e sérias e a menor corrupção.

Por isso o Botswana – muito representado para a dimensão do país –, a Namíbia, o Quénia, o Gana, a Tanzânia, o Malawi e a Zâmbia estão, uns mais do que outros, representados. Não vejo Angola, a RDC, a Guiné Conacri, o Gabão, a Guiné Equatorial, o Burquina Faso, o Chade, o Sudão, o Zimbabwe – se fosse há uns anos estaria certamente –, a Libéria, a Serra Leoa, a Somália, a Suazilândia. Dir-me-ão que este último país não tem dimensão.

Mas, ao figurarem várias empresas das Maurícias, umas ilhas bem mais pequenas, este argumento cai por terra. É que enquanto na Suazilândia reina uma despótica família que engorda na mesma proporção que o povo emagrece – é o país com maior índice de SIDA em África – e Sua Majestade freta aviões para as suas esposas irem às compras a Londres, o governo das Maurícias trabalha afincadamente criando um ambiente de negócios favorável ao investidor estrangeiro, facilitando-lhe a vida em tudo o que está ao seu alcance. Só assim se criam empresas sólidas, estruturadas e sérias, e é isto que leva ao desenvolvimento sustentado do país.

É isto que leva à criação de postos de trabalho e, consequentemente, à estabilidade social, é isto que leva à confiança no investimento, é isto que leva à solidez da economia e, consequentemente, da moeda. Que Moçambique esteja fora das 250 maiores empresas de África ainda se pode aceitar, agora que esteja fora do ranking das 50 maiores empresas da África Austral – as companhias sul-africanas não estão incluídas para dar oportunidade aos países menos favorecidos – já é vergonhoso.

O Malawi, cinco vezes mais pequeno do que o nosso país, com metade da nossa população e com muito menos recursos naturais, possui 11 empresas no top 50! Isto tem de dar, necessariamente, matéria para reflexão.

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